Machismo no carnaval: Jovem é assediada e agredida em bloco de São Paulo

Pelas redes sociais, Carolina Froes publicou um forte relato sobre sua experiência em um bloco de carnaval neste final de semana, em que um homem tirou sua roupa e a agrediu diante de milhares...

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Pelas redes sociais, Carolina Froes publicou um forte relato sobre sua experiência em um bloco de carnaval neste final de semana, em que um homem tirou sua roupa e a agrediu diante de milhares de pessoas, que teriam ficado sem reação. “Meu braço vai desinchar, os hematomas vão sumir. Mas eu nunca vou esquecer”. Leia

Por Redação

O carnaval, para a maior parte das pessoas, pode ser a época mais divertida do ano. Ao menos assim era para ser. Para alguns, no entanto, principalmente mulheres, as festas podem deixar de ser sinônimo de diversão para se tornarem sinônimo de dor ou uma má lembrança em um rápido intervalo de tempo. Apesar das campanhas, das denúncias de assédio o ano todo e da preocupação de alguns blocos em abolir marchinhas sexistas ou preconceituosas, o machismo continua presente e fazendo vítimas ao longo do feriado pelo Brasil afora.

Sequer é oficialmente carnaval e um relato de assédio e agressão já vem repercutindo nas redes sociais. A jovem Carolina Froes, pelo Facebook, publicou um texto contundente e que já vem circulando com força nas redes sociais. Na publicação, que acompanha fotos de marcas da agressão que ela denuncia, Carolina conta como teve sua roupa arrancada e como foi agredida por um homem no bloco “Casa Comigo” no último sábado (18), na zona oeste da capital paulista. De acordo com a jovem, apesar de seus gritos por ajuda, todos viram a ação do agressor de maneira inerte, sem prestar qualquer tipo de auxílio.

“Quando levantei, cinco pessoas me seguraram. Ninguém segurou o agressor. Enquanto eu gritava pra me largarem, enquanto eu gritava pedindo pra que o segurassem, vi ele indo embora rindo”, relatou.

De acordo com a jovem, tudo começou quando o homem, que não foi identificado, arrancou a parte de cima de sua roupa. Indignada, Carolina teria começado a gritar com o homem, que a agarrou pelo pescoço e a arremessou ao chão. Foram a queda e a tentativa do homem de segurá-la que teriam provocado os hematomas.

“Minhas amigas e eu estávamos indo embora junto com uma multidão, quando ele, vindo por trás, puxa e tira a minha parte de cima da roupa. Virei já reagindo, socando o homem que tinha o dobro do meu tamanho. Ele riu. Comecei a gritar, “Tá maluco?”, “Ele tirou minha roupa”. Um espaço se abriu. Continuei reagindo e tentando segurar o cara. “Chama a polícia, ele tirou minha roupa”, também lembro de gritar.  Nisso ele me agarra pelo pescoço e me enforca enquanto eu tento chutar. Me levanta pelo pescoço, e então me joga no chão. Caí. Sem blusa e sem ajuda. Foi quando machuquei meu braço”, escreveu.

A publicação de Carolina, depois da descrição da agressão, tomou um tom mais de resposta ao machismo e de incentivo para que outras mulheres não se curvem diante das opressões que podem sofrer em uma festa como o carnaval.

“Se a presença de uma mulher precisa ser afrontada dessa forma, serei uma afronta ainda maior. Sou mulher. Estou viva. Reajo e existo. Esse texto é uma forma de dizer: você, mulher, não está sozinha. Por mais que possa se sentir. Estamos juntas. Esse texto é um pedido: se virem alguém sendo assediada, abusada e/ou agredida, ajude. Se você for assediada, abusada e/ou agredida, REAJA E DENUNCIE”, pontuou.

Confira a íntegra do texto.



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