“Investigado ou réu pode escolher seu juiz?”, questiona Jean Wyllys

O deputado federal, junto com outros parlamentares da bancada do PSOL, foram acompanhar a sabatina de Alexandre de Moraes no Senado portando placas com perguntas um tanto quanto comprometedoras ao ministro da Justiça. Atitude...

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O deputado federal, junto com outros parlamentares da bancada do PSOL, foram acompanhar a sabatina de Alexandre de Moraes no Senado portando placas com perguntas um tanto quanto comprometedoras ao ministro da Justiça. Atitude irritou o tucano Aloysio Nunes (PSDB-MG), que achou a pergunta “ofensiva”

Por Redação

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, a que neste momento está sabatinando o indicado de Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, é composta por inúmeros senadores investigados ou que já são réus na operação Lava Jato e em outras investigações da Justiça. Se avançarem as investigações, muitos deles podem ter o caso julgado no STF e se Moraes ficar com a vaga, será ele o relator da Lava Jato.

Ou seja: réus e investigados da Lava Jato estão, neste momento, escolhendo o juiz que julgará seus casos.

Esse foi o ponto colocado pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) ao levar para o Senado, nesta terça-feira (21), uma placa com a pergunta “investigado ou réu pode escolher o seu juiz?”. O parlamentar, junto com outros membros da bancada do PSOL na Câmara, resolveram acompanhar a sabatina para expor, através das placas, algumas perguntas um tanto quanto comprometedoras que deveriam ser feitas pelos senadores.

A polícia legislativa tentou impedir a entrada dos parlamentares na CCJ. Mas Ivan Valente (PSOL-SP) conseguiu negociar e os deputados federais entraram na sabatina. Lá, Chico Alencar (PSOL-RJ) ergueu outra placa, que dizia: “A tese hoje vai virar antítese?”, em referência à tese de Moraes no doutorado que defendia que membros do governo não podem ser indicados ao Supremo.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-MG), demonstrando que não se importa com os fatos levantados pelos deputados do PSOL e que já deu sua benção para que Moraes ocupe a cadeira deixada por Teori Zavascki, teria se irritado e perguntado se os psolistas queriam impedir a sabatina.

“Não, Aloysio. O PSOL quer perguntar, e perguntar não ofende”, respondeu Chico Alencar.

Confira abaixo o texto de Jean Wyllys narrando o episódio.

NOVA CRÔNICA DO ABSURDO – A PRIMEIRA DO ANO

Acabamos de armar, sem querer, um bas-fond no Senado! A polícia legislativa da casa não queria deixar a bancada do PSOL na Câmara entrar, por causa dos cartazes com perguntas que achamos que deveriam ser feitas a Alexandre de Moraes, acusado hoje pela Folha de São Paulo de mais uma ilegalidade: ocultação de bens para a Receita Federal.

Ivan Valente, Edmilson Rodrigues e Chico Alencar bateram boca com a polícia legislativa. Eu apenas perguntei ao policial, que disse que estava cumprindo ordens: “Você não pensa, só cumpre ordem?”. Ele ficou desnorteado. Entramos com a promessa, feita por Ivan, de que não abriríamos os cartazes com as perguntas lá dentro da CCJ do Senado (presidida pelo suspeitíssimo Edison Lobão). Como a promessa não foi minha, assim que eu entrei na comissão, abri o cartaz como se fosse um leque (vrááá) e o ergui antes de o entregar às senadoras Gleisi Hoffmann e Vanessa Grazziotin!

O senador Aloysio Nunes não gostou e perguntou se o PSOL queria impedir a sabatina. Chico respondeu: “Não, Aloysio. O PSOL quer perguntar, e perguntar não ofende”. E mostrou o cartaz onde se lia “A tese hoje vai virar antítese?”. Nunes disse que a pergunta era “ofensiva”. Chico apenas lamentou aquilo em que se transformou Aloysio Nunes, político que, depois de ter participado de ações armadas contra a ditadura militar, tendo sido motorista do guerrilheiro Carlos Marighella, transformou-se num tucano direitoso, golpista e antidemocrata. Eu dei as costas.

Estava dado nosso recado. No futuro, a história dirá que houve resistência a esse estado de absurdos em que os golpistas investigados e réus em pesado esquema de corrupção nos meteram!

Foto: Bruna Menezes/Liderança do PSOL



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