Com Temer, Petrobrás deixa de patrocinar carnaval e prejudica blocos afros

Pela primeira vez em uma década, a Petrobras não investirá um centavo no patrocínio do Carnaval. Os mais prejudicados são blocos afros como o Olodum, Ilê Aiyê e Filhos de Gandhi.

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Pela primeira vez em uma década, a Petrobras não investirá um centavo no patrocínio do Carnaval. Os mais prejudicados são blocos afros como o Olodum, Ilê Aiyê e Filhos de Gandhi.

Da Redação com Informações da Folha

Pela primeira vez em uma década, a Petrobras não investirá um centavo no patrocínio do Carnaval. A nova gestão da estatal, substituída no ano passado com a ascensão de Michel Temer (PMDB) à Presidência de República.

Em nota, a Petrobras justificou os cortes alegando “questões orçamentárias” e informou que está “readequando sua carteira de projetos à luz de uma revisão de seus programas de patrocínio”.

A estatal já chegou a investir R$ 22 milhões por ano com o patrocínio de blocos, trios elétricos e escolas de samba nos Carnavais de Salvador e Rio de Janeiro. O auge foi o Carnaval de 2014, um mês antes da deflagração da Operação Lava Jato.

No Rio, a Petrobras patrocinou escolas de samba entre 2008 e 2015, num formato em que o valor do patrocínio era abatido em tributos pagos pela Petrobras ao governo estadual.

Os contratos previam repasses de R$ 12 milhões por ano à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), que repassava R$ 1 milhão para cada escola de samba do grupo especial. Em 2016, o valor do contrato foi reduzido para R$ 2,4 milhões e, este ano, as escolas de samba não receberão nenhum centavo.

Em Salvador, a Petrobras foi patrocinadora oficial do Carnaval entre 2010 e 2014, repassando recursos até R$ 7 milhões por ano para a prefeitura para a organização da festa. Também apoiou entre 2006 e 2016 blocos afros, afoxés, além de artistas independentes.

AFROS

Se, por um lado, a Petrobras deixou de investir em ações de marketing em camarotes exclusivos, de outro, o corte afetou a política de valorização das entidades de matriz africana.

Blocos como o Olodum, Ilê Aiyê e Filhos de Gandhi estão entre os mais prejudicados.

O Olodum, que costumava receber entre R$ 300 mil e R$ 400 mil da estatal, este ano ficará sem nada.

“É um parceiro importante, que vai fazer falta. Vamos ter que nos reinventar para desfilar com menos recursos”, diz João Jorge Rodrigues, presidente do Olodum.

O bloco afro, conhecido internacionalmente por ter gravado com artistas como Michael Jackson e Paul Simon, até o momento firmou parcerias com a Caixa Econômica Federal e a companhia aérea Air Europa.

A entidade não revela o valor do patrocínio, mas diz que o valor arrecadado é 60% menor do que no ano passado.

Artistas independentes, que desfilam para o folião que não paga pelos abadás, também perderam o apoio financeiro da estatal nos últimos anos.

O cantor Luiz Caldas, considerado pai da axé music, deixou de ter seu trio patrocinado pela Petrobras desde 2015.

Já Armandinho Macedo, que desfila com a réplica do primeiro trio elétrico, a Fobica, deixou de receber o apoio da estatal no ano passado.

“A falta de apoio prejudica esse lado mais cultural do Carnaval como forma de manifestação povo. Espero que a empresa melhore e volte a olhar por nós”, diz Macedo.

 



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