Os 85 anos do voto feminino e os seus poucos avanços

Nesta sexta-feira (24), o Brasil comemora 85 anos da conquista do voto feminino e quase um ano do impeachment de Dilma. Apesar do ainda pouco protagonismo das mulheres na política, avançamos. Muito aquém do que queremos e precisamos. Mas avançamos.

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Nesta sexta-feira (24), o Brasil comemora 85 anos da conquista do voto feminino e quase um ano do impeachment de Dilma. Apesar do ainda pouco protagonismo das mulheres na política, avançamos. Muito aquém do que queremos e precisamos. Mas avançamos.

Por Julinho Bittencourt

Nesta sexta-feira (24), o Brasil comemora 85 anos da conquista do voto feminino. O direito das mulheres em escolher seus representantes foi garantido em 1932, através do decreto 21.076 do Código Eleitoral Provisório, após intensa campanha nacional.

A efeméride acontece quase um ano depois de Dilma Roussef, primeira presidente da República mulher legitimamente eleita no país, ser afastada pelo Congresso, sob o pretexto das pedaladas fiscais, sem nunca ter ficado provado uma única ação de improbidade contra ela.

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Dilma Roussef, a primeira mulher eleita presidente no Brasil

Em seu lugar assumiu um governo liderado pelo vice Michel Temer, basicamente composto por homens brancos, de idade avançada, mentalidade retrógrada e, como veio a aparecer mais tarde, cada vez mais enredados em denúncias, processos e políticas excludentes.

Um governo de homens brancos, idade avançada, mentalidade retrógrada.

O governo golpista de Temer acabou com o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, criado por Dilma, em 2015, relegando a política para as mulheres novamente ao status de secretaria, ligada ao ministério da Justiça, retirando o seu protagonismo.

Sobre isso, a socióloga Eleonora Menicucci, que foi ministra das Mulheres de Dilma Rousseff, disse: “Levar a secretaria para o Ministério da Justiça diz muito sobre a compreensão deste governo provisório a respeito das políticas para mulheres. É a perspectiva policial, a perspectiva da repressão”.

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Eleonora Menicucci, ministra das Mulheres de Dilma

Estatísticas Pífias

Entre os eleitores no Brasil as mulheres são maioria (pouco mais de 51,7% do total, segundo o governo federal). Mas há muito pouco ainda a comemorar. Apesar das cotas, fruto de políticas afirmativas para ampliar a participação feminina, onde os partidos são obrigados a reservar uma participação de, no mínimo, 30% para cada sexo, as mulheres continuam em ampla minoria nas casas legislativas brasileiras. A participação das mulheres na Câmara dos Deputados é de 9% e, no Senado, de 10% do total. Além disso, o número de governadoras de estado também ainda é muito pequeno.

Um estudo da União Interparlamentar, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), colocou o Brasil em 120º lugar em um ranking da proporção de mulheres nos parlamentos, o que significa estar atrás de países islâmicos como Paquistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos.

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A Marcha das Mulheres Negras, em 2015, em Brasília

No caso das mulheres negras, a situação é muito mais grave, onde elas praticamente somem das estatísticas. De acordo com estudo realizado pela União dos Negros pela Igualdade (Unegro) em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (MG), os negros tem baixa representatividade no Parlamento. O estudo revelou que apenas 0,0001% dos afrodescendentes brasileiros exercem mandatos nas principais casas legislativas.

Nesta estatística pífia, as mulheres negras praticamente desaparecem.

Nestes 85 anos, avançamos. Muito pouco e muito aquém do que queremos e precisamos. Mas avançamos.



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