Assassinatos em presídio e policiais mal pagos. O fracasso da política tucana para segurança em Goiás

Na manhã desta quinta-feira (23) morreram mais cinco detentos. Um novo concurso público para a PM foi lançado com salário de R$ 1.500,00.

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Na manhã desta quinta-feira (23) morreram mais cinco detentos. Um novo concurso público para a PM foi lançado com salário de R$ 1.500,00. 

Por Rafael C. Oliveira Colaborador da Rede Fórum 

Em fevereiro de 2016, o vice-governador José Eliton (PSDB) assumiu a Secretaria de Segurança Pública de Goiás prometendo valorização dos policiais e “tolerância zero”. Um ano depois, o balanço da gestão não poderia ser pior: concurso com um absurdo salário de R$ 1.500,00, em uma nova categoria inventada pelo secretário em conjunto com o governador Marconi Perillo (PSDB), e os assassinatos ocorridos na manhã desta quinta-feira (23), na Penitenciária Odenir Guimarães (POG), localizada em Aparecida de Goiânia, região metropolitana da capital.

Conforme foi apurado pelas polícias Civil e Militar, cinco detentos morreram na manhã de quinta-feira, logo após um tiroteio que ocorreu dentro da POG. Houve a identificação de três dos mortos: Thiago César de Souza, líder de uma quadrilha de tráfico de drogas e conhecido como Thiago Topete, William Seixas Silva Barbosa e Alexandre Batista França.

Após a confirmação da morte do líder, Thiago Topete, vários áudios, confirmados pela Polícia Militar, circularam pelas redes sociais com mensagens jurando vingança pela morte do chefe da quadrilha. Os áudios assustaram a população e a polícia recomendou que todos ficassem em suas casas na noite de quinta-feira (23), principalmente aqueles que morassem na região oeste da cidade.

O fato parece comprovar que a política “tolerância zero” do vice-governador não apresentou nenhum avanço em segurança pública, pois casos como o ocorrido expõem a fragilidade do sistema carcerário marcado pela ausência de controle graças a superlotação. Na última sexta-feira (24), a medida da secretaria de segurança foi transferir mais de 500 detentos para o presídio de Anápolis (a cadeia tem capacidade para 300 presos), a 55km da capital, e a reação foi imediata: depredação pedindo retorno à POG. É válido lembrar que Goiânia foi classificada entre as 30 cidades mais perigosas do mundo, em ranking publicado por uma ONG mexicana em 2015.

Ao que tudo indica, a gestão de José Eliton não vai deixar saudade, pois, um dia após o conflito na POG, o historiador e especialista na área de Direitos Humanos Ricardo Balestreri assumiu a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás.



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