Merkel – em seu pior momento – encontrará Trump

Em artigo exclusivo para a Rede Fórum, o sociólogo e mestre em Políticas de Trabalho e Globalização, Vinicius Sartorato, lança várias questões sobre a visita que Angela Merkel fará a Donald Trump agora em março. Qual será o tom do encontro? Trump provocará Merkel?...

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Em artigo exclusivo para a Rede Fórum, o sociólogo e mestre em Políticas de Trabalho e Globalização, Vinicius Sartorato, lança várias questões sobre a visita que Angela Merkel fará a Donald Trump agora em março. Qual será o tom do encontro? Trump provocará Merkel? Será este o fim da “Era Merkel”? Será o retorno da social democracia de esquerda na Alemanha? Ou será a consolidação do reaparecimento do neonazismo no país?

Por Vinicius Sartorato, colaborador da Rede Fórum* 

Empobrecimento e violência contra refugiados trazem dúvidas sobre o futuro

Sob críticas, a chanceler alemã, Angela Merkel, encontrará o novo presidente norte-americano, Donald Trump, no próximo dia 14 de março, segundo informações de representantes dos dois governos.

O encontro promete levantar muitas polêmicas, uma vez que os dois líderes já trocaram “farpas” nos últimos meses. Donald Trump criticou várias vezes o governo alemão, levantando temas como: a relação entre os alemães e os outros países da União Europeia; a indústria automobilística alemã; e a política para refugiados de Merkel.

Vivendo o seu pior momento em termos de popularidade, desde que se tornou chanceler em 2005, Angela Merkel sempre rebateu as críticas de Trump de forma diplomática, defendendo a unidade do bloco europeu, criticando o populismo, a xenofobia e inclusive ressaltando – durante recente Cúpula da OTAN – que “o Islam não é uma fonte de terror”.

No entanto, apesar de manter um discurso coerente com suas ações, a chanceler alemã tem pagado um alto preço, arriscando até mesmo sua reeleição em setembro deste ano.

Nos últimos anos, o movimento migratório internacional teve o maior crescimento registrado desde a 2ª Guerra Mundial. Dentre os principais motivos: guerras, ditaduras, pobreza e catástrofes ambientais em diferentes regiões do planeta. Neste contexto, a Alemanha foi um dos principais destinos dos refugiados, tendo recebido nos últimos anos milhões de pessoas, oriundas da África, da Ásia, mas principalmente da Síria, Afeganistão, Iraque, Paquistão, Irã, Eritréia e Albânia.

Porém, há duas semanas, o Ministério do Interior alemão divulgou dados alarmantes sobre ataques sofridos por refugiados no país. A partir da demanda do Parlamento, foram divulgados dados prévios de um relatório, que será finalizado em maio, mas que já assustou a todos, considerando um crescimento de cerca de 80% de ocorrências de 2015 (1.031) para 2016 (3.500). Esse número representaria o equivalente a “10 ataques por dia contra refugiados durante 2016”, somando 560 pessoas machucadas. Uma constatação bombástica do crescimento de um movimento xenófobo no país. Fatos assustadores para um país acostumado com níveis de criminalidade baixos.

É neste cenário inédito na Era Merkel, que o social-democrata, Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, vem já há algumas semanas aparecendo à frente de Merkel nas pesquisas eleitorais. Com um discurso voltado à chamada justiça social e a retomada da força do Estado de Bem-Estar Social, Schulz vem ganhando apoio entre setores da classe trabalhadora do país, em um lento, porém crescente empobrecimento.

Schulz, entre outras questões, vem também enfatizando o papel da União Europeia na política de refugiados, criticando possíveis erros que Merkel tenha cometido. Fato que o aproxima ainda mais da esquerda e dos ecologistas, já visando a formação de um novo governo.

Enfim, ficaremos na expectativa deste encontro entre Trump e Merkel. Qual será o tom do encontro? Trump provocará Merkel? Será este o fim da “Era Merkel”? Será o retorno da social democracia de esquerda na Alemanha? Ou será a consolidação do reaparecimento do neonazismo no país? Essas são algumas das várias questões abertas para o futuro do país.

 

*Vinicius Sartorato é sociólogo. Mestre em Políticas de Trabalho e Globalização.



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