Golpe leva o país à pior recessão da sua história

O golpe, uma sucessão de trapalhadas políticas e econômicas, o índice de desemprego cada vez mais alto e o completo descrédito da população com o governo levaram o país à pior recessão da sua história.

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O golpe, uma sucessão de trapalhadas políticas e econômicas, o índice de desemprego cada vez mais alto e o completo descrédito da população com o governo levaram o país à pior recessão da sua história.

Da redação com Informações do G1

O golpe, uma sucessão de trapalhadas políticas e econômicas, o índice de desemprego cada vez mais alto e o completo descrédito da população com o governo levaram o país à pior recessão da sua história. Com retração no produto Interno Bruto (PIB) de 3,6% em relação ao ano anterior, somada a 2015, quando a economia já havia recuado 3,8%, a economia brasileira voltou ao mesmo patamar do terceiro trimestre de 2010.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que o país acumulou queda maior do que a registrada em 1930 e 1931, quando os recuos foram de 2,1% e 3,3%, respectivamente, as maiores da série histórica até então. O IBGE e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) dispõem de dados sobre o PIB desde 1901.

“Se a gente olhar o biênio, a retração foi de 7,2%. A gente nunca teve um biênio com uma queda acumulada destas”, disse Rebeca de La Rocque Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. A série histórica do IBGE vai até 1948.

Além da profundidade, a recessão no período se destaca por sua dispersão em todos os setores da economia, algo incomum em períodos de crise anteriores, diz Rebeca Passos, coordenadora de contas nacionais do IBGE.

No ano, a agropecuária caiu 6,6%, seguida pela indústria (queda de 3,8%) e pelos serviços, que recuaram 2,7%, consequência do mau desempenho de transportes. Desde pelo menos 2012, a retração não era generalizada como a observada em 2016. Desde 1996 o país não tinha quedas nos três principais setores da economia.

Em valores correntes, o Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) chegou a R$ 6,266 trilhões em 2016, e o PIB per capita ficou em R$ 30.407 – uma redução de 4,4% diante de 2015.

Investimentos também têm retração

Também entram no cálculo do PIB a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), como o indicador de investimentos é conhecido. A retração foi de 10,2%. De acordo com o IBGE, esse resultado negativo, registrado pelo terceiro ano seguido, pode ser explicado, principalmente, pela queda da produção interna e da importação de bens de capital.

Outro indicador que também é usado pelo IBGE para analisar o desempenho da economia é a despesa de consumo das famílias, que por muitos anos, sustentou o crescimento do PIB brasileiro. Em 2016, na comparação com 2015, a retração foi de 4,2%, acima da queda registrada entre 2014 e 2015, de 3,9%.

Segundo o IBGE, a alta dos juros, a restrição ao crédito, o aumento do desempenho e a queda da renda explicam esse resultado. Também recuou, mas de forma menos intensa, a despesa do consumo do governo: 0,6% sobre 2015. De 2014 para 2015, a retração havia sido de 1,1%.

Seguindo o que já havia sido visto em 2015, com a valorização do dólar, as exportações de bens e serviços cresceram 1,9%, e as importações de bens e serviços caíram, 10,3%. “A gente teve uma contribuição positiva do setor externo na economia, com o aumento das exportações de bens e serviço.”

Três últimos meses de 2016

No quarto trimestre do ano passado, o PIB caiu 0,9% em relação aos três meses anteriores. Foi a oitava queda seguida nesse tipo de comparação. Ao contrário do que ocorreu no consolidado do ano, no último trimestre um setor conseguiu registrar resultado positivo – a agropecuária, que cresceu 1%, influenciada pela agricultura. Já a indústria recuou 0,7%, porque a indústria de transformação foi mal, e os serviços, 0,8%, que não tiveram taxa positiva em nenhuma atividade.

“Olhando para o resultado do quarto trimestre, nós voltamos ao mesmo patamar do 3º trimestre de 2010”, afirmou Rebeca.

Em relação ao quarto trimestre de 2015, a queda do PIB foi ainda mais intensa. O recuo, de 2,5%, foi o 11º negativo seguido seguido. Todos os setores tiveram desempenho negativo: agropecuária (-5%), indústria (-2,4%) e serviços (-2,4%).

A coordenadora do IBGE destacou que, comparando com os outros trimestres de 2016, o ritmo de queda do PIB diminuiu. No primeiro trimestre do ano, a queda foi de 5,8% em relação ao trimestre anterior. “A gente viu que em outros períodos, algumas atividades econômicas davam uma segurada na economia. Neste biênio, a gente viu que foi uma coisa disseminada em todos os setores.”

Previsões

A previsão do mercado financeiro era que o PIB encerraria o ano em queda de 3,5%, de acordo com o último boletim Focus que trazia as estimativas para 2016. A expectativa do Banco Central era ainda mais pessimista. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma espécie de “prévia do PIB”, indicava que a economia brasileira havia recuado 4,34% no ano passado.

Em relatório publicado no início de 2017, o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicava que o PIB de 2016 teria caído 3,5%.

 



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