Ato histórico em SP demonstra força contra o governo Temer e a retirada de direitos

A mídia tradicional não passou tom da maior mobilização do Dia Nacional de Paralisações, em que um ex-presidente discursou para uma avenida tomada por mais de 300 mil manifestantes Por Isabelle Grangeiro, colaboradora da Rede...

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A mídia tradicional não passou tom da maior mobilização do Dia Nacional de Paralisações, em que um ex-presidente discursou para uma avenida tomada por mais de 300 mil manifestantes

Por Isabelle Grangeiro, colaboradora da Rede Fórum

No maior ato do Dia Nacional de Paralisações, a Avenida Paulista foi ocupada por cerca de 300 mil manifestantes, entre trabalhadores e estudantes, contrários à reforma da previdência, proposta pelo governo de Michel Temer. O ato, que contou com a participação do ex presidente Lula, foi organizado pelas centrais sindicais e pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Para o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST), Guilherme Boulos, o dia 15 de março foi um marco histórico. Segundo Boulos, os trabalhadores se deram conta do risco que correm. “Começou a cair a ficha sobre o tamanho do ataque das reformas trabalhista e da Previdência. É o início de um novo momento”, afirmou. O líder do MTST ainda garantiu que se o governo seguir adiante com a reforma, os trabalhadores ocuparão Brasília e não deixarão a votação acontecer.

A PEC 287, que trata sobre a reforma da Previdência, estabelece idade mínima de 65 anos para homens e mulheres poderem se aposentar e ainda exige contribuição de 49 anos para que o trabalhador possa receber o valor integral do salário. Um dos grupos mais prejudicados pela proposta serão as mulheres, que terão a idade mínima igualada aos homens, os professores e trabalhadores do campo, que perderão benefício da aposentadoria especial.

Além da reforma da previdência, os manifestantes também expressaram insatisfação com outros projetos do governo de Temer, como a reforma do ensino médio, já sancionada pelo presidente, a reforma trabalhista e o projeto de terceirização, que visam desmontar a Consolidação de Leis Trabalhistas (CLT) e estão sendo discutidos no Congresso Nacional.

Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, os movimentos sociais não permitirão que acabem com o direitos dos trabalhadores. “Não vamos aceitar as reformas da Previdência e trabalhista. É bom que deputados e senadores saibam que quem votar a favor será cobrado”, afirmou. Freitas convidou a população a ocupar as ruas, pressionar os parlamentares e lutar em defesa de seus direitos.

No fim do ato, o ex presidente Lula discursou por cerca de 20 minutos. Em sua fala, o ex presidente afirmou que as reformas em pauta são um ataque aos direitos trabalhistas, frutos de lutas históricas. “O golpe não foi contra a Dilma. Foi para colocar no poder alguém sem legitimidade para acabar com direitos que levaram anos para serem conquistados. Os exemplos são as reformas trabalhista e da Previdência”.

O ex presidente elogiou a participação popular e as manifestações do dia e enfatizou que até que um presidente seja eleito democraticamente, as manifestações populares são a única saída para barrar os retrocessos propostos por um governo ilegítimo. “Eu continuo cada vez mais convicto de que somente o povo na rua, utilizando seus instrumentos de luta, e quando a gente tiver um presidente legítimo, a gente vai conseguir fazer o país crescer e gerar emprego”, declarou.

Foto: Ricardo Stuckert 



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