Moro cede à pressão e recua no caso de Eduardo Guimarães

Após ato público e manifestações de jornalistas e associações que saíram em defesa de Eduardo Guimarães, o juiz publicou um despacho em que determina a exclusão de qualquer prova que venha a comprometer o...

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Após ato público e manifestações de jornalistas e associações que saíram em defesa de Eduardo Guimarães, o juiz publicou um despacho em que determina a exclusão de qualquer prova que venha a comprometer o sigilo da fonte do blogueiro. À princípio, Moro justificava que Guimarães não era jornalista para ter sigilo de fonte e que, inclusive, a revelou sem nenhuma pressão. À Fórum, Guimarães rebateu e disse que foi, sim, pressionado

Por Ivan Longo

O juiz Sérgio Moro cedeu à pressão da classe jornalística e da sociedade civil e recuou no caso do blogueiro Eduardo Guimarães que, a seu mando, foi alvo de condução coeritiva na última terça-feira (21). Guimarães, que edita o Blog da Cidadania, é investigado por ter adiantado a informação da condução coercitiva do ex-presidente Lula, no ano passado, e o objetivo de Moro ao questioná-lo essa semana seria o de saber sua fonte, bem como se ele havia repassado a informação ao próprio ex-presidente Lula. O blogueiro, além de conduzido coercitivamente a prestar depoimento na Polícia Federal, teve celulares e computadores apreendidos. Ao longo da semana, Moro justificou a ação que tinha como objeto principal a fonte do blogueiro na Lava Jato com o argumento de que Guimarães não é jornalista e que, por isso, não lhe é reservado o direito de manter sua fonte sob sigilo.

A condução coercitiva do blogueiro, bem como a apreensão de seus equipamentos e os questionamentos acerca de suas fontes foram duramente criticadas pela classe jornalística, que avaliou a conduta do juiz Sérgio Moro como um atentado à liberdade de imprensa. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), a Repórteres Sem Fronteiras e outras entidades e nomes conhecidos do jornalismo brasileiro fizeram críticas à ação. No mesmo dia da condução coercitiva do blogueiro, um ato de solidariedade e em prol da imprensa livre reuniu mais de 300 pessoas no Sindicato dos Engenheiros, em São Paulo.

Diante da pressão de todas essas manifestações, Moro resolveu recuar. Em despacho publicado nesta quinta-feira (23), apesar de continuar argumentando que Guimarães não é jornalista, o juiz volta atrás e manda excluir qualquer prova que venha a comprometer o sigilo da fonte do blogueiro.

“A manifestação de alguns membros da classe de jornalistas e de algumas associações de jornalistas no sentido de que parte da atividade de Eduardo Cairo Guimarães teria natureza jornalística, embora não vincule o Juízo, não pode ser ignorada como elemento probatório e valorativo. Nesse contexto (…) é o caso de rever o posicionamento anterior e melhor delimitar o objeto do processo”, escreveu o juiz, que determinou:

“Deve ser excluído do processo e do resultado das quebras de sigilo de dados de Eduardo Cairo Guimarães (…) qualquer elemento probatório relativo à identificação da fonte da informação”.

Leia também: Até jornalistas de direita criticam Moro por condução coercitiva de Eduardo Guimarães

No despacho Moro pondera, no entanto, que o objeto da investigação não era identificar a fonte do blogueiro – esta já teria sido identificada – e que Guimarães a revelou sem qualquer tipo de “coação”. “Um verdadeiro jornalista não revelaria jamais sua fonte”, argumentou Moro.

À Fórum, no entanto, Eduardo Guimarães rebateu e disse que moro mente quando afirma que não foi coagido. “Não revelei a fonte como ele está dizendo. Houve, sim, pressão”. O blogueiro informou que dará mais detalhes sobre o caso ainda nesta quinta-feira.

 

 



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