YouTube censura conteúdo LGBT, deixa de vetar alguns vídeos extremistas e perde gigantes patrocínios

Canais brasileiros famosos como “Para Tudo”, (da drag queen Lorelay Fox), “Canal das Bee” e “Põe na Roda” estão entre os que tiveram parte de seu conteúdo bloqueado essa semana, assim como videoclipes de...

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Canais brasileiros famosos como “Para Tudo”, (da drag queen Lorelay Fox), “Canal das Bee” e “Põe na Roda” estão entre os que tiveram parte de seu conteúdo bloqueado essa semana, assim como videoclipes de artistas pop como Lady Gaga, Kylie Minogue e até mesmo Anitta. Vídeos extremistas e homofóbicos, no entanto, permanecem no ar

Por Marcela Marcos, colaboradora da Rede Fórum 

Mesmo diante de muitas reclamações nas redes sociais, o YouTube continua censurando vídeos com temática LGBT a partir do filtro “Modo Restrito”. Canais brasileiros famosos como “Para Tudo”, (da drag queen Lorelay Fox), “Canal das Bee” e “Põe na Roda” estão entre os que tiveram parte de seu conteúdo bloqueado essa semana, assim como videoclipes de artistas pop como Lady Gaga, Kylie Minogue e até mesmo Anitta, que apoiam a causa.

No Twitter, usuários utilizam a hashtag #YouTubeIsOverParty para criticar a atitude da marca que pertence à Google. Diante dos protestos online, o Youtube divulgou um comunicado oficial, no último domingo, afirmando que a companhia tem “orgulho de representar as vozes LGBTQ” e explicando que “a intenção do Modo Restrito é filtrar o conteúdo maduro para uma minúscula parcela de usuários que desejam uma experiência mais limitada”. No texto, ainda há um pedido de desculpas: “Lamentamos qualquer confusão que isso causou e estamos atentos a suas preocupações”.

O "Canal das Bee", de temática LGBT, foi um dos afetados pela política.
O “Canal das Bee”, de temática LGBT, foi um dos afetados pela política.

No entanto, a censura permanece. Fizemos um teste digitando “Canal das Bee” na busca do YouTube, com o modo restrito ativado, e só tivemos acesso a vídeos mais antigos, de dois meses atrás, sendo que a última atualização do canal foi há quatro dias. Em contrapartida, a Google enfrenta uma crise motivada por conteúdos do YouTube que deveriam, (esses, sim) ser vetados, e não têm sido. Cerca de 250 empresas, além do governo britânico, cancelaram anúncios na plataforma depois que algumas propagandas apareceram junto a vídeos que continham mensagens extremistas, destilando homofobia e antissemitismo. A lista inclui BBC, L’Oreal, Volkswagen, HSBC e McDonald’s.

Durante um evento em Londres, o presidente do Google para a Europa, Oriente Médio e África, Matt Brittin, pediu desculpas aos “parceiros e anunciantes afetados”, mas os patrocinadores mantêm a decisão. Pelo menos por enquanto, tanto para as marcas que não querem ser atreladas a incitação ao ódio, quanto para o público LGBT que luta exatamente para combatê-lo e que já é tão censurado na rede e fora dela, são apenas desculpas. Para desativar o Modo Restrito, basta alterar a opção na parte inferior do YouTube.



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