Eugênio Bucci sai em defesa de Eduardo Guimarães e critica Moro: “Quem sai perdendo é a democracia”

Em sua coluna da semana na revista Época, o jornalista e professor afirmou diz que Eduardo Guimarães não obstruiu a Justiça e que a ação contra o blogueiro, a mando do juiz Sérgio Moro,...

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Em sua coluna da semana na revista Época, o jornalista e professor afirmou diz que Eduardo Guimarães não obstruiu a Justiça e que a ação contra o blogueiro, a mando do juiz Sérgio Moro, foi mais uma prova de que setores do Poder Judiciário “não compreende para que serve e como funciona o jornalismo”

Por Brasil 247

Em sua coluna na revista Época desta semana, o jornalista e professor da USP Eugênio Bucci critica duramente a condução coercitiva deflagrada pela Polícia Federal, com autorização do juiz Sergio Moro, contra o blogueiro Eduardo Guimarães. Para ele, trata-se de “mais uma prova de que setores do Poder Judiciário não compreendem para que serve e como funciona o jornalismo. Quem sai perdendo, sempre, é a democracia”.

Bucci contesta o argumento de que Guimarães obstruiu a Justiça ao vazar informação antecipadamente sobre a condução coercitiva que ocorreria contra Lula em março do ano passado. Ele estava “no seu papel”, diz. “É da natureza do trabalho jornalístico procurar descobrir e depois noticiar segredos guardados dentro de órgãos do Estado (…). A imprensa atua como um contrapoder e é por isso que precisamos dela”, afirma.

O professor condena ainda o constrangimento a que Guimarães foi exposto por agentes da PF quando forçado a confirmar a fonte que lhe passou a informação. “Quando pressiona um repórter (…) a entregar o nome de sua fonte, o agente da lei humilha esse repórter, e o humilha sem base legal”, diz. Sobre a alegação de que o blogueiro teria obstruído a Justiça não pela divulgação da informação, mas por dividi-la com a equipe de Lula, Bucci questiona: “Ora, mas essa suposta inconfidência ‘obstruiu’ a Justiça? Lula por acaso deixou de depor naquele dia?”.

Para o jornalista, “a não ser que queiramos viver sob uma tirania, [os repórteres] não podem ser responsabilizados pela guarda de segredos que não são seus”. “O Poder Judiciário pode muito bem enquadrar o funcionário que contou o que não devia contar, mas tem o dever de garantir os direitos fundamentais do jornalista que descobriu o segredo. Qualquer coisa fora disso é inaceitável”.



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