Em Campinas (SP), 600 famílias são expulsas de suas casas após reintegração de posse

A Ocupação Nelson Mandela, que ficava no terreno de uma antiga cerâmica sem qualquer função social, abrigava 282 crianças,141 adolescentes, 28 gestantes, 24 idosos, 05 cadeirantes e centenas de adultos. A prefeitura não atendeu...

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A Ocupação Nelson Mandela, que ficava no terreno de uma antiga cerâmica sem qualquer função social, abrigava 282 crianças,141 adolescentes, 28 gestantes, 24 idosos, 05 cadeirantes e centenas de adultos. A prefeitura não atendeu ao pedido de abrigo dos moradores, que deixaram a ocupação desamparados

Por Isabelle Grangeiro, colaboradora da Rede Fórum

Cerca de 600 famílias foram expulsas da ocupação Nelson Mandela, localizada no Jardim Capivari, em Campinas, interior de São Paulo. A reintegração de posse ocorreu na manhã de terça-feira (28).

A ocupação surgiu em julho de 2016 devido ao aprofundamento da crise econômica e à completa omissão do poder público municipal de Jonas Donizette (PSB) em garantir moradia para a população. Mais de 100 mil metros quadrados do terreno da Ocupação Nelson Mandela pertenciam a uma antiga cerâmica que há décadas não cumpre função social alguma, servindo apenas para especulação fundiária.

A comunidade abrigava 282 crianças,141 adolescentes, 28 gestantes, 24 idosos, 05 cadeirantes e centenas de adultos.

Os vereadores Gustavo Petta (PCdoB), Mariana Conti (PSOL), Carlão do PT e Pedro Tourinho (PT) estavam na ocupação intermediando a saída pacífica dos moradores. Segundo o vereador Gustavo Petta, a reintegração de posse ocorreu de forma injusta.

“Os moradores lutam pelo direito à moradia, queriam uma negociação com o proprietário, foram feitos todos os apelos ao tribunal e infelizmente não houve concessão de apelo à medida de reintegração”, disse. Também deram apoio à ocupação os deputados Orlando Silva (PCdoB) e Beth Sahão (PT).

Após horas negociações, os moradores começaram a sair com alguns objetos pessoais. Em seguida, a retroescavadeira da Prefeitura entrou na ocupação para começar a destruir os barracos.

O aparato policial utilizado na reintegração chamou a atenção dos moradores da região. Estavam no local mais de 400 policiais militares, com viaturas, ônibus, cavalaria e até drones. “A polícia organizou uma tropa nunca vista na cidade de Campinas”, afirmou Petta.

A prefeitura não atendeu ao pedido de abrigo dos moradores, que deixaram a ocupação desamparados.

Foto: Jornalistas Livres



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