Senado aprova reeleição no Paraguai e deflagra crise política

Manifestantes ocuparam o Congresso na noite de sexta-feira (31), atearam fogo no Salão Principal. Segundo o jornal ABC Color, mais de 200 pessoas foram detidas, entre elas menores de idade, e confronto com a...

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Manifestantes ocuparam o Congresso na noite de sexta-feira (31), atearam fogo no Salão Principal. Segundo o jornal ABC Color, mais de 200 pessoas foram detidas, entre elas menores de idade, e confronto com a polícia levou a morte de um jovem de 25 anos com um tiro de bala de borracha, que o atingiu no olho

Por Portal Vermelho

O Paraguai vive um clima de grande tensão desencadeada pela tentativa do presidente Horacio Cartes de reformar a Constituição do país e estabelecer a reeleição. Manifestantes ocuparam o Congresso na noite de sexta-feira (31), atearam fogo no Salão Principal. Segundo o jornal ABC Color, mais de 200 pessoas foram detidas, entre elas menores de idade, e confronto com a polícia levou a morte de um jovem de 25 anos com um tiro de bala de borracha, que o atingiu no olho.

Ainda de acordo com fonte da imprensa, o rapaz foi baleado após a polícia invadir a sede do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), na capital Assunção. Os policiais teriam invadido o prédio e forçado as pessoas a se deitarem no chão. Um policial atingiu o rapaz que foi levado ao Hospital de Traumas, mas não resistiu ao ferimento e morreu.Em frente ao Congresso também houve confronto entre manifestantes e a polícia.

A Constituição paraguaia estabelece que os cargos de presidente e vice-presidente são “improrrogáveis” e que seus ocupantes “não poderão ser reeleitos em nenhum caso”. O governo de Horacio Cartes, com maioria no senado, aprovou a reeleição. Cortes é um empresário da indústria do tabaco e está no poder desde 2013, após o processo de impeachment de Fernando Lugo, no golpe parlamentar em 2012.

No total, 25 dos 45 senadores votaram a favor da emenda que institui a reeleição, inclusive parlamentares ligados ao ex-presidente Fernando Lugo. A emenda deverá ser ratificada neste sábado pela Câmara dos Deputados, também com maioria governista.

O presidente do Senado, Roberto Acevedo, o primeiro vice-presidente do Senado, Eduardo Petta, e outros legisladores da oposição ocuparam o plenário da Casa para impedir a votação, enquanto manifestantes tomavam parte do prédio do Congresso do Paraguai,

O presidente do congresso Roberto Acevedo fez uma denúncia na Corte Suprema de Justiça contra parlamentares governistas pelo que classifica de “abuso de função e atentado à ordem constitucional”.

“Queremos que o povo decida se quer ou não a reeleição, e não será uma minoria (parlamentar) que impedirá isto”, disse a senadora Lilian Samaniego, presidente do Partido Colorado.

A votação da emenda aconteceu num gabinete da Frente Guasú, no interior do Congresso, com o presidente da Câmara ausente e somente com os 25 senadores favoráveis.

Além de aprovar a emenda, os senadores governistas alteraram o regulamento interno do Senado, modificando as atribuições do presidente da câmara alta para que não possa rejeitar o projeto de emenda, permitindo a apresentação do projeto a qualquer momento.

“Pode ser de imediato. A qualquer momento podemos ter que realizar um referendo, e existe campanha com Cartes e Lugo pedindo o sim à reforma constitucional”, disse ao El País o escritor e analista político paraguaio Alfredo Boccia.

O Partido Liberal, na oposição, convocaram uma marcha contra a manobra. “Não estamos de acordo. Vemos que convenceram Lugo a fazer algo que é inconstitucional. Como farão uma eleição democrática violando os regulamentos de forma tão grotesca?”, afirmou o senador do Luis Alberto Wagner, do Partido Liberal.

Caso a Câmara dos Deputados aprove, a emenda será submetida a um referendo nacional, no prazo de três meses, convocado pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral.

Em nota, o Partido Comunista do Paraguay chamou a crise política de circo politiqueiro de terror” e conclamou o povo a não se expor a uma confrontação “entre projetos igualmente politiqueiros que defendem interesses mesquinhos”.

“Não vamos cair no jogo criminal”, enfatiza a nota, que reforça que “as cúpulas pró-emenda e anti-emenda não representam a defesa dos interesses do povo”.



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