Eduardo Guimarães diz à GloboNews: “Eu vou matar você… de rir”

O blogueiro prestou um novo depoimento na Polícia Federal nesta segunda-feira (3) por conta de uma representação do juiz Sérgio Moro, que se sentiu ameaçado por um tweet de Guimarães postado em 2015. À...

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O blogueiro prestou um novo depoimento na Polícia Federal nesta segunda-feira (3) por conta de uma representação do juiz Sérgio Moro, que se sentiu ameaçado por um tweet de Guimarães postado em 2015. À Globo, o blogueiro exemplificou como uma frase pode ser pinçada para fora de um contexto com o intuito de criminalizá-lo

Por Redação

O blogueiro Eduardo Guimarães, responsável pelo Blog da Cidadania, prestou nesta segunda-feira (3) um novo depoimento à Polícia Federal, em São Paulo. Ele está sendo indiciado por conta de uma representação aberta pelo juiz Sérgio Moro, que se sentiu ameaçado por um tweet postado pelo blogueiro em 2015.

O tweet se trata, na verdade, de parte de um texto que Guimarães havia postado em seu blog criticando o juiz. Em cada tweet, o blogueiro postou um trecho do texto, já que o Twitter só permite 140 caracteres por postagem.

“Cada brasileiro que se entusiasma ao ver a derrocada petista não sabe que essa politicagem vai lhe custar caro. Os delírios de um psicopata investido de um poder discricionário como Sérgio Moro vão custar seu emprego, sua vida”, diz o texto.

O juiz moveu a ação contra Guimarães acreditando que as partes que dizem “essa politicagem vai lhe custar caro”ou “vão custar seu emprego, sua vida”, se referem a ele quando, na verdade, o texto deixa muito claro que Guimarães está conversando com o leitor.

À GloboNews, quando terminou seu depoimento, por volta das 18h, Guimarães se mostrou tranquilo e ainda exemplificou à repórter como uma frase pode ser retirada de seu contexto.

“Eu vou matar você de rir. Aí você corta o ‘de rir’… Entendeu? É muito triste isso.”

À Fórum e outros veículos, Eduardo Guimarães afirmou ainda que “já veio de Curitiba a determinação para que eu fosse indiciado. Independentemente do que eu dissesse, seria indiciado”. Ele contou que, em seu interrogatório, foram feitas perguntas como “você escreveu esse tweet?”, ao que o blogueiro disse: “Não posso responder assim, simplesmente sim ou não. Esse texto é parte de um texto maior. Eu escrevi três tweets. E os três no mesmo minuto, que guardam total relação com o texto que publiquei”.

De acordo com o blogueiro e seu advogado, Fernando Hideo, seu indiciamento é ilegal pois o crime de ameaça é um crime de menor potencial ofensivo, não cabendo indiciamento. Moro ainda fez constar, na representação, o crime de injúria, o que, segundo a defesa, também é ilegal, pois o crime de injúria deve ser representado em seis meses e, até o final de 2015, não houve essa representação, já tendo passado o prazo decadencial.

A representação de Moro contra Guimarães foi, inclusive, citada pelo advogado Fernando Hideo como um motivo pelo qual o juiz não poderia ser apto a julgá-lo em outro processo. “Quem se considera vítima e representa contra ele [Guimarães] não pode ser juiz contra o blogueiro em outra causa”, afirmou, referindo-se ao inquérito em que o blogueiro foi levado a depor por condução coercitiva.



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