Dilma: “Me casse que eu vou passar o tempo inteiro lutando para ser candidata”

Em longa entrevista à coluna de Mônica Bérgamo, Dilma fala sobre tudo: “Como o Temer não tem nada a ver com isso? Separar essa conta só tem uma explicação: dar tempo para ele entregar o resto do serviço que ficou de entregar: reforma da...

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Em longa entrevista à coluna de Mônica Bérgamo, Dilma fala sobre tudo: “Como o Temer não tem nada a ver com isso? Separar essa conta só tem uma explicação: dar tempo para ele entregar o resto do serviço que ficou de entregar: reforma da Previdência e desregulamentação econômica brutal”.

Da Redação com Informações da Coluna de Mônica Bérgamo

Em longa entrevista à coluna de Mônica Bérgamo, a presidente afastada Dilma Roussef, no dia em que começa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o processo que pode cassar os seus direitos políticos, fala de maneira clara e direta sobre a delação de Marcelo Odebrecht, a separação das contas da chapa dela e Michel Temer, os cartéis, doações de campanha entre outros assuntos.

“Como o Temer não tem nada a ver com isso? Na campanha, ele arrecadou R$ 20 milhões de um total de R$ 350 milhões. Nós pagamos integralmente todas as despesas dele. Jatinhos, salários de assessores, advogados, hotéis, material gráfico, inserções na TV. Separar essa conta só tem uma explicação: dar tempo para ele entregar o resto do serviço que ficou de entregar: reforma da Previdência e desregulamentação econômica brutal”, disse.

Sobre a doação de R$ 50 milhões que Marcelo Odebrecht diz ter feito em 2009 ela aponta:

“Terminamos a eleição de 2010 com uma dívida de R$ 10 milhões. E não usamos nada desses R$ 50 milhões para cobrir esse débito? Esses R$ 50 milhões são uma ficção, uma coisa absolutamente ridícula”.

Sobra a afirmação do delator de que Guido Mantega teria sido seu interlocutor para as doações ela afirma:

“O Guido nunca foi interlocutor de Marcelo Odebrecht para assuntos eleitorais, até porque estávamos em 2011. Ele [Odebrecht] sempre faz essa confusão. [Elevando o tom de voz] Esse rapaz jamais ousaria conversar comigo sobre doação. Você acha que alguém ousaria? Pergunta se alguém ousaria.”

E conclui:

“Olha, eu tenho a impressão de que o senhor Marcelo Odebrecht sofreu muitos tipos de pressão. Muitos tipos de pressão. Por isso, não venham com delaçãozinha de uma pessoa que foi submetida a uma variante de tortura, minha filha. Ou melhor, de coação.”

Sobre Michel Temer, Dilma diz que nunca soube nada que pudesse comprometê-lo: “Se eu soubesse ele não demorava nem dois minutos para sair. Já do Moreira eu suspeitava. Suspeito. O Eliseu Padilha [ministro da Casa Civil] é do Rio Grande do Sul, como eu. Sai na rua e pergunta para as pessoas quem ele é”.

Sobre Cunha e seus parceiros ela afirma: “O problema muito mais grave é que o centro foi para a direita. Eduardo Cunha [ex-presidente da Câmara] está preso mas tudo o que garantiu a sobrevivência dele está solto, lá no parlamento”.

Dilma comentou também a denúncia da revista Veja de que Aécio teria recebido propina numa conta no exterior: “Há um processo gravíssimo de radicalização. Não adianta agora as pessoas que criaram esse processo, como o senador Aécio Neves e sua irmã, irem para as redes sociais gravarem depoimentos emocionados contra esse tipo de conflito, de vazamento, dizer que queimar a moral de pessoas em praça pública é condenável. Quem abre a caixa cheia de monstros geralmente é devorado primeiro. Fiquei bastante impactada quando li que houve pagamento de propina no exterior ao Aécio na usina de Santo Antonio. Suamos tanto para fazer um leilão competitivo e a propina rolando solta? Aí é dose”.

Sobre Aécio desmentir a acusação ela aponta: “Querida, a mim ninguém nunca acusou de ter conta no exterior. Mas, enfim, vivemos uma conjuntura complexa que tem também a ver com a forma como a imprensa espetaculariza certas coisas”.

Sobre uma provável prisão de Lula ela responde: “Só se eles forem muito doidos. Não dá para continuar nesse ritmo. Nós precisamos de uma eleição para ver se conseguimos criar um consenso novo, para que nos encontremos todos e sejamos capazes de fazer um novo pacto”.

No final das contas, Dilma nega ser candidata, “Eu não quero. Mas posso até ser. Me casse que eu vou passar o tempo inteiro lutando [na Justiça] para não ser cassada e ser candidata”.

Leia a entrevista na íntegra aqui: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/04/1872427-marcelo-odebrecht-fez-delacaozinha-apos-sofrer-coacao-afirma-dilma.shtml



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