#MeuProfessorRacista: Os relatos chocantes de racismo, preconceito e injúria racial em escolas e universidades

Uma campanha da Ocupação Preta – coletivo de alunos e alunas negras da USP – deu luz, nas redes sociais, às situações vexatórias e humilhantes a que todo estudante negro sofre em ao menos...

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Uma campanha da Ocupação Preta – coletivo de alunos e alunas negras da USP – deu luz, nas redes sociais, às situações vexatórias e humilhantes a que todo estudante negro sofre em ao menos algum momento da vida escolar ou universitária. Relatos vão desde apelidos, passando por exclusão a discursos meritocráticos e elitistas. Confira

Por Redação

Começou a viralizar nas redes sociais, na noite desta segunda-feira (3), a hashtag #MeuProfessorRacista, em que negros e negras relatam situações de racismo, preconceito e injúria racial que sofreram em ao menos algum momento de suas vidas na escola ou na universidade.

A campanha surgiu a partir de uma iniciativa da Ocupação Preta – coletivo de alunos e alunas negras da Universidade de São Paulo (USP) -, que divulgou o caso de uma professora que tratou com chacota uma discussão sobre a questão racial na obra de Monteiro Lobato e o racismo em marchinhas de carnaval.

“Sabendo que se perpetua nas universidades uma diretriz e um embasamento teórico pertencente à branquitude, levantamos a necessidade de que a professora conheça, discuta ou ao menos escute o que os alunos têm a dizer, abandonando seu posto de superioridade”, escreveu o coletivo, contando ainda que, após a discussão, foram expulsos da sala de aula.

Foi lançada, então, a hashtag #MeuProfessorRacista e milhares de depoimentos, muitos deles, chocantes, começaram a surgir e explicitar o quão grave é o problema do racismo no ambiente escolar e universitário. Os relatos vão desde apelidos, como “sabonete de mecânico”, macaco, macaca, entre outros, passando por exclusão de grupos de trabalhos, situações vexatórias como mandar colher comida do chão para “aprender a não desperdiçar”, até discursos meritocráticos e anti-cotas, como se os negros beneficiados por programas de cotas não merecessem ocupar aquela vaga.

Confira abaixo alguns dos depoimentos.



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1 comment

  1. Fábio de Oliveira Ribeiro Responder

    Este é um problema grave e antigo, mas a culpa não é especificamente dos professores. Há alunos racistas. Na década de 1980 presenciei uma cena grotesca.
    Eu estava numa padaria em frente a Faculdade em que estudava. Um mendigo negro e idoso se aproximou de mim e disse que estava com fome, perguntou se eu poderia pagar algo para ele comer. Mandei o rapaz fazer um pão com mortadela igual ao que eu estava comendo e dei o lanche para o mendigo. Então eu perguntei-lhe se ele aceitaria um copo de cerveja. Ele sorriu e disse que sim e eu o servi. Enquanto comíamos e bebíamos ele me disse.
    – Sabe, moço. Minha vida nem sempre foi assim. Eu já fui um cara bem de vida, com casa, carro, mulher e filhos. Fui mecânico e durante muito tempo trabalhei com o Chico Landi. Você já ouviu falar dele?
    – É claro. Eu ouvi falar dele quando era criança.
    – Então. Eu trabalhei para ele, deixava o carro dele em ponto de bala. Era mecânico dos bons. Eu cheguei até a viajar para o exterior com a equipe dele. Certa feita…
    O mendigo foi comendo e me contando uma história pitoresca do Chico Landi que agora eu não consigo lembrar. Então um colega de faculdade mulato (escuro, tanto que gostava de ser chamado de “negão”) bateu no meu ombro e pediu para falar comigo há alguma distância do mendigo.
    -Pô, Fábio. Você é um universitário. Você sabia que apenas 6% da população brasileira tem ensino superior? Então… Você faz parte de uma elite”cara”, não deveria ficar conversando com um mendigo.
    – Me dá licença que a conversa com o mecânico do Chico Landi está mais interessante – disse dando as costas ao colega mulato.
    Aí está… O abismo aberto pelo racismo cotidiano é bem mais profundo. Esta pequena história demonstra como os esteriótipos desumanos não são um privilégio de brancos.


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