Polícia Civil arquiva inquérito contra jovem acusada de incendiar ônibus em Minas Gerais

Investigação conclui que a estudante Madu Carvalho não incendiou ônibus, arquiva inquérito e revoga o uso da tornozeleira eletrônica mantida pela jovem por mais de 30 dias; ela denuncia ter sido vítima de racismo e...

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Investigação conclui que a estudante Madu Carvalho não incendiou ônibus, arquiva inquérito e revoga o uso da tornozeleira eletrônica mantida pela jovem por mais de 30 dias; ela denuncia ter sido vítima de racismo e promete processar o Estado
Por Alessandra Dantas, colaboradora da Rede Fórum de Jornalismo 

Nesta terça-feira (4), a estudante e cantora Madu Carvalho retirou a tornozeleira eletrônica, após o arquivamento do inquérito que investigava seu suposto envolvimento no incêndio de um ônibus em Belo Horizonte (MG) em fevereiro.

A Polícia Civil reconheceu não haver provas contra a jovem. O inquérito estava em tramitação na Delegacia de Organizações Criminosas. A defesa de Madu provou a inocência da estudante, que tem bons antecedentes, ocupação lícita e residência fixa.

Nas redes sociais, ela comemorou e agradeceu todo o apoio que teve nesse período em que ficou em prisão domiciliar na Casa de Referência da Mulher Tina Martins. “A #liberdade #cantooou, deu tudo certo foi provado minha inocência, e estou livre daquela tornozeleira, obrigado advogado Thales Viote, Cristina Paiva e a Vereadora Áurea Carolina, Olga Benario,Tina Martins, e mãe obrigada por tudo,e todas as outras pessoas q tiveram cmg nessa luta”, escreveu.

A moradora da Ocupação Eliana Silva foi acolhida na Casa de Referência da Mulher Tina Martins e estava há mais de um mês sem frequentar a escola. Em entrevista a Fórum, Madu relatou as violações de que foi vítima. A jovem disse que acabou criminalizada por ser negra e morar na periferia e que vai processar o Estado.

Ela foi presa injustamente no dia 14 de fevereiro, acusada de ter participado do incêndio de um ônibus na capital mineira. Madu ficou detida por quatro dias e teve que pagar fiança de R$ 937,00. O valor foi arrecadado por movimentos sociais que se mobilizaram para ajudá-la.

O arquivamento do inquérito foi motivo de comemoração para a rede de pessoas que apoiaram a estudante. Por meio de nota, integrantes do Movimento de Mulheres Olga Benário e a Casa de Referência da Mulher Tina Martins expressaram que a liberdade da cantora popular é uma vitória. “Após longo tempo em que Madu Carvalho teve seu direito de ir e vir e sua liberdade cassadas, foi feito um grande trabalho de denúncias da violação de direitos praticado pelo Estado e pela Polícia Militar”, afirmou o comunicado.

“Ressaltamos o importante trabalho dos advogados populares Cristina Paiva Matos Fontes e Thales Viote, do apoio da família de Madu, do mandato popular da Vereadora Áurea Carolina, da Casa de Referência Tina Martins e da grande rede de apoiadores e lutadores sociais, que foram solidários com a causa, denunciando a enorme injustiça da acusação diante dos fatos investigados que inocentam integralmente Madu e o demais jovens acusados pela PMMG”, prosseguiu.

“Esse é mais um caso envolvendo a criminalização de trabalhadores e moradores da periferia. Madu teve vários de seus direitos violados! Foi impedida de comunicar-se com sua mãe quando da sua prisão, foi presa injustamente sem base em provas reais, jogada no Presídio de Bicas, sofreu maus tratos no sistema prisional, ficou em prisão domiciliar, mesmo tendo todos os requisitos para responder o processo em liberdade. Os advogados populares que assessoram Madu e o Movimento de Mulheres Olga Benario buscarão a responsabilização e reparação de todos os agentes públicos e autoridades envolvidos nesse absurdo e abusivo caso” concluiu a nota.



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