Cunha envia carta da cadeia desmentindo Temer sobre impeachment e reunião com a Odebrecht

Ex-presidente da Câmara afirmou que submeteu o parecer do impeachment a Temer antes da abertura do processo e que foi o atual presidente quem marcou um encontro com o executivo da Odebrecht Márcio Faria da Silva;...

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Ex-presidente da Câmara afirmou que submeteu o parecer do impeachment a Temer antes da abertura do processo e que foi o atual presidente quem marcou um encontro com o executivo da Odebrecht Márcio Faria da Silva; leia a carta na íntegra

Por Redação

O ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) escreveu uma carta de próprio punho no Complexo Médico Penal em Curitiba, onde está preso. No texto, ele afirma que Michel Temer foi quem agendou um encontro com o ex-presidente da Odebrecht Engenharia Márcio Faria da Silva.

Segundo Faria, que virou delator na Operação Lava-Jato, foi nessa reunião que o atual presidente do país pediu US$ 40 milhões em propina para a construtora. Em entrevista dada à TV Bandeirantes na semana passada, Temer negou o fato e garantiu que, na ocasião, não se falou desse assunto.

Cunha ainda afirmou na carta que o parecer do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi submetido, antes de sua abertura, a Temer, então vice-presidente. “Lamento (…) vir a público desmentir o presidente que assumiu o cargo em decorrência desse processo”, destacou. Em entrevista, Temer rebateu que tivesse qualquer influência no pedido de impeachment.

Leia na íntegra.

Com relação a entrevista do sr. Presidente da República à Rede Bandeirantes no último sábado, dia 15 de abril, repetida no domingo, tenho a esclarecer o que se segue:

Lamento que nesta data, onde se completa um ano da votação da abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, comandada por mim, tenha de vir a público desmentir o presidente que assumiu o cargo em decorrência desse processo.

Não existiu o diálogo descrito pelo presidente com relação aos fatos sobre o impeachment e o meu livro detalhará todos os fatos reais sobre o impeachment em ordem cronológica com farta comprovação.


O verdadeiro diálogo ocorrido sobre o impeachment com o então vice-presidente, às 14h da segunda-feira 30 de novembro de 2015, na varanda do Palácio do Jaburu, 48 horas antes da aceitação da abertura do processo de impeachment, foi submeter a ele o parecer preparado por advogados de confiança mútua, foi debatido e considerado por ele correto do ponto de vista jurídico.


Com relação a reunião com o Executivo da Odebrecht, o presidente se equivocou nos detalhes. A referida reunião não foi por mim marcada, embora tivesse tido várias outras reuniões sobre doações marcadas por mim. Nesse caso, o fato é que estava em São Paulo, juntamente com Henrique Alves e almoçamos os três juntos no restaurante Senzala, ao lado do escritório político dele após outra reunião e fomos convidados eu e o Henrique a participar dessa reunião já agendada diretamente com ele.


Efetivamente na referida reunião não se tratou de valores nem referência a qualquer contrato daquela empresa. A conversa girou sobre a possibilidade de possível doação e não corresponde a verdade o depoimento do executivo.

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil
Com informações do Estado de S. Paulo



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