Gilmar Mendes chama presos da Lava Jato de reféns

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sofre até pedido de impedimento por ter libertado José Dirceu. No entanto, ele afirma que não se intimidará e lembrou Rui Barbosa quando diz que não há salvação para o juiz covarde.

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Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sofre até pedido de impedimento por ter libertado José Dirceu. No entanto, ele afirma que não se intimidará e lembrou Rui Barbosa quando diz que não há salvação para o juiz covarde.

Da Redação*

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sofre até pedido de impedimento por ter libertado José Dirceu. No entanto, ele afirma que não se intimidará e lembrou Rui Barbosa quando diz que não há salvação para o juiz covarde.

“Como tem sido divulgado [por integrantes da Lava Jato], o sucesso da operação dependeria de um grande apoio da opinião pública. Tanto é assim que a toda hora seus agentes estão na mídia, especialmente nas redes sociais, pedindo apoio ao povo e coisas do tipo.

É uma tentativa de manter um apoio permanente [à Lava Jato]. E isso obviamente é reforçado com a existência, vamos chamar assim, entre aspas, de reféns.

[Os reféns seriam] os presos. Para que [os agentes] possam dizer: ‘Olha, as medidas que tomamos estão sendo efetivas’. Não teria charme nenhum, nesse contexto, esperar pela condenação em segundo grau para o sujeito cumprir a pena.

Tudo isso faz parte também de um jogo retórico midiático”, afirmou.

Ele afirma ainda que decidiu o mandado de segurança contra a posse do Lula [como ministro]. “E virei, mais uma vez, herói de determinados grupos e inimigo número 1 de outros. Agora, no caso de Dirceu, foi o contrário. Nós temos que conviver com isso. É preciso ter consciência de que exercemos um papel civilizatório. A tentativa de jogar a opinião pública contra juízes parece legítima no jogo democrático. Mas ela não é legítima quando é feita por agentes públicos. O que se quer no final? Cometer toda a sorte de abusos e não sofrer reparos.
Há uma frase de Rui Barbosa que ilustra tudo isso: o bom ladrão salvou-se mas não há salvação para o juiz covarde”.

Com relação à propalada incapacidade de julgar o caso de Eike Batista, ao qual foi pedido o seu impedimento, Gilmar Mendes afirma: “ao que estou informado, o escritório em que ela trabalha representa Eike Batista em processos cíveis, o que não tem nada a ver com o tema colocado. Nem cogitei de impedimento até porque não havia. Eu já tinha negado habeas corpus do Eike. E ninguém lembrou que eu poderia estar impedido. Isso mostra a leviandade e o oportunismo da crítica”.

*Com informações da coluna de Mônica Bérgamo

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

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