Em editorial, Estadão critica Lava Jato: “Não pode se converter numa ideologia”

Após a concretização do golpe, jornal passa a reconhecer fragilidades da operação e afirma que ela está sendo utilizada para “fins políticos” Por Redação...

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Após a concretização do golpe, jornal passa a reconhecer fragilidades da operação e afirma que ela está sendo utilizada para “fins políticos”

Por Redação

Em editorial, o jornal Estado de S. Paulo publicou nesta quarta-feira (10) críticas contundentes à Operação Lava Jato. O texto comenta o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja declarado impedido de atuar no processo envolvendo Eike Batista. A esposa de Mendes é sócia do escritório que defende o empresário, o que levanta suspeita sobre o posicionamento do ministro.

Citando o caso como exemplo, o Estadão destaca os interesses do Judiciário, que muitas vezes são colocados acima do bem coletivo. “O pedido de Janot coaduna-se perfeitamente com a tentativa de parte do Ministério Público de utilizar a Operação Lava Jato para denunciar a generalizada podridão existente nas instituições nacionais. Tudo estaria podre no País. Trata-se de uma manobra insidiosa, pois se utiliza de uma coisa boa, como é a Lava Jato, para uma finalidade política no mínimo questionável e certamente estranha às competências institucionais do Ministério Público”, afirmou.

“Por mais que impressione a extensão dos crimes revelados pela Lava Jato, eles não legitimam, no entanto, que membros do Ministério Público utilizem a operação para fins políticos, difundindo a ideia de que tudo está podre, exceto – é o que parece afirmarem – o Ministério Público, que seria, assim, o salvador da pátria”, prosseguiu.

“A Lava Jato não pode se converter, como às vezes parece ocorrer, numa ideologia. Hoje Lula da Silva deverá ser ouvido em Curitiba. Muita gente tem tratado esse depoimento como se fosse o momento máximo de redenção nacional. Sem dúvida, o evento é importante para Lula da Silva, já que o processo penal pode lhe render algumas consequências que ele achava que jamais o atingiriam. A lei é para todos e, nesse sentido, a Lava Jato tem um sentido pedagógico exemplar. Mas cada etapa dos processos da Lava Jato não pode paralisar o País”, destacou o editorial.



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