Coletivos organizam vigílias contra violência policial na Cracolândia

Dependentes químicos sofreram repressão da Guarda Civil Metropolitana na última quarta-feira (10) Por Júlia Dolce, no BdF Vigílias estão sendo organizadas por coletivos que lutam por direitos humanos na área da Cracolândia, zona central...

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Dependentes químicos sofreram repressão da Guarda Civil Metropolitana na última quarta-feira (10)

Por Júlia Dolce, no BdF

Vigílias estão sendo organizadas por coletivos que lutam por direitos humanos na área da Cracolândia, zona central de São Paulo, em resposta à violência policial protagonizada pela Guarda Civil Metropolitana contra os dependentes químicos na tarde de ontem (10).

Foram pelo menos duas pessoas feridas por armas de fogo, além de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo disparadas, segundo relatos de testemunhas.

A justificativa para a ação foi o suposto assassinato de Bruno de Oliveira Tavares, encontrado morto na região no último final de semana, depois de ficar desaparecido por quatro dias. Os moradores da área, entretanto, afirmam que um roubo de celular motivou a violência policial.

Raphael Escobar, integrante da Craco Resiste, que organiza as vigílias, afirma que o coletivo surgiu exatamente para evitar a violência policial na região.

“A Craco Resiste surgiu neste ano, com medo de uma represália da nova política do Dória, que quer limpar e acabar com a Cracolândia, e a gente sabe historicamente como essas represálias são. Começamos fazendo vigílias diárias tentando diminuir os danos de uma ação policial”, afirmou.

De acordo com o relato de uma funcionária da equipe técnica do programa municipal De Braços Abertos, que preferiu não se identificar, a equipe foi aconselhada pela Secretaria Municipal de Saúde a não trabalhar nos próximos dias, diante da expectativa de mais confrontos na região. Ela afirmou que “a decisão da equipe é permanecer trabalhando com os beneficiários”.

O vereador Toninho Vespoli, da bancada do PSOL em São Paulo, compareceu à região da Cracolândia na manhã desta quinta-feira (11) para prestar apoio aos dependentes químicos. Na sua opinião, o governo de João Dória não está pensando em políticas públicas para o local.

“Eu estive lá acompanhando o De Braços Abertos. É claro que o programa poderia ser melhorado, mas pelo menos você percebia ele. Agora você anda por lá e não vê nada. O que o Dória está fazendo lá? Ele desmontou parte do programa, mas e agora? Qual a política será juntar o governo do estado e do município para dispensar as pessoas ali? Elas vão para onde?”, questionou.

A funcionária do programa De Braços Abertos entrevistada pelo Brasil de Fato disse ainda que o policiamento na região vem aumentando muito no governo Dória, assim como a população de rua.

“Parece que a Cracolândia entrou nos holofotes da mídia. Isso, na minha opinião, para convencer a opinião pública, dando respaldo às intervenções violentas da polícia”, ponderou.

De acordo com Escobar, a expectativa é que novas ações violentas voltem a acontecer na Cracolândia.

“O que está sendo lançado pela mídia é que a Cracolândia vai acabar agora. Estão dizendo que ontem foi um fato isolado, mas a gente sabe que nada aqui é um fato isolado. As ações policiais provavelmente vão se repetir nos próximos dias e estamos nos articulando para evitar isso”.

Uma nota assinada pela Craco Resiste e outras organizações, como a Pastoral Carcerária e os Advogados Ativistas, destaca que o ataque da polícia está relacionado ao interesse do mercado imobiliário na região, e afirma que as organizações defendem um modelo que “leve em consideração as necessidades das pessoas, diminuindo os danos causados pelo uso abusivo de substâncias”.

Procurada pelo Brasil de Fato, a GCM se restringiu a responder que não usa armas de fogo nem bala de borracha.

Foto: Craco Resiste



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