Jornalista da Folha cobre Doria em Nova Iorque a convite do Lide, o grupo privado do prefeito

As matérias da Folha sobre a viagem do prefeito de São Paulo aos EUA em busca de investimentos têm, todas, tom positivo. Letras minúsculas no rodapé das reportagens, no entanto, tentam esconder uma informação...

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As matérias da Folha sobre a viagem do prefeito de São Paulo aos EUA em busca de investimentos têm, todas, tom positivo. Letras minúsculas no rodapé das reportagens, no entanto, tentam esconder uma informação importante: o repórter que as assina viajou à convite do Lide, grupo de empresários gerido por Doria

Por Redação

O prefeito da capital paulista, João Doria, e seu padrinho político e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos tucanos, viajaram essa semana aos Estados Unidos em busca de investimentos. A ideia é que empresários norte-americanos assumam obras em São Paulo que estão paradas há décadas ou mesmo entregar a administração de bens públicos municipais e estaduais que estão em pleno funcionamento.

A imprensa tradicional, naturalmente, vem mostrando todos os passos da dupla em Nova Iorque – dos bastidores, passando pelas reuniões com empresários até a pronunciamentos e encontros com políticos.

É importante avaliar a diferença do tom das reportagens entre quando elas se referem ao governador e quando se referem ao prefeito. Nas matérias que tem Doria como destaque, o tom é sempre mais positivo e quase sempre dão conta de criar de citar o tucano como possível candidato à presidência da República em 2018, como na matéria “Em premiação em Nova York, Doria é saudado como possível candidato”.

Já nas reportagens que tem Alckmin como destaque, o tom não chega a ser negativo, mas não são tão amigáveis quanto as que tratam sobre Doria. Um exemplo é a matéria que tem como manchete “Em NY, Alckmin cita Trump como referência”. De certo não é confortável nem para o governador de São Paulo ter uma frase sua elogiando Trump como destaque.

Dados esses fatos, há um detalhe importante que, se não houver um olhar atento, passa despercebido. No rodapé dessas reportagens, em letras minúsculas, é dada a informação: “O jornalista Paulo Gama viajou a convite do Lide”.

Lide é o Grupo de Líderes Empresariais – privado – que, até há pouco tempo, era gerido por João Doria. Recentemente, no entanto, ao responder uma matéria sobre o uso de jatos pagos pelo Lide por políticos para comparecer ao encontro anual do grupo, a assessoria do prefeito paulistano informou que Doria já não é mais o presidente da entidade, que agora está nas mãos de seus filhos.

Ou seja, por essa lógica, os filhos de Doria decidiram pagar um jornalista para cobrir a viagem de seu pai.



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