Moralidade só na propaganda. Na ação, Doria e Alckmin apoiam Temer

Doria, o novo mocinho da política brasileira, propagandeia Brasil afora sua moral e fez um vídeo condenando a corrupção após as revelações recentes quando estava em Nova York,  justamente com o Deputado paranaense Rocha...

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Doria, o novo mocinho da política brasileira, propagandeia Brasil afora sua moral e fez um vídeo condenando a corrupção após as revelações recentes quando estava em Nova York,  justamente com o Deputado paranaense Rocha Loures, o braço direito de Temer  filmado recebendo uma mala de propina da JBS com 500 mil reais. Dias antes, Loures participou, como convidado, de um evento da empresa de Doria, em um hotel de luxo, em Foz do Iguaçu e hoje descobre que Doria foi doador de campanha do deputado do Paraná

Por Alencar Santana Braga*

O governo ilegítimo de Michel Temer vive um momento de crise e já tem motivos de sobra, e principalmente na voz do povo nas ruas, para se encerrar de vez.

Depois da revelação das gravações em que o próprio Temer recebeu, na calada da noite, um empresário acusado de pagar propinas e comprar membros do Congresso e do Judiciário, fazendo acertos com ele, se tornou impossível a continuidade de seu governo e o país pede Fora Temer.

Investigado pelo crime de obstrução de justiça, dentre outros, Temer deveria ser afastado imediatamente pelo Supremo ou pela Câmara dos Deputados e deveria receber o repúdio de lideranças, principalmente de sua base de apoio, mas não é o que vem acontecendo.

Sem ouvir o clamor popular, o “homem de bem” João Doria e o “santo” Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, partido que avalizou o golpe e ajuda a sustentar Temer no Planalto, fizeram declarações no mínimo suspeitas e contraditórias à imprensa.

Logo que foram divulgados os gravíssimos áudios, com ampla divulgação pela imprensa brasileira e internacional, envolvendo Temer e mostrando um acordão para garantir o silêncio de Eduardo Cunha, preso pela operação Lava Jato, Doria e Alckmin chegaram a dizer “ser cedo” para falar no assunto, e na sequencia partiram para a defesa da “calma” frente a também revelação do envolvimento do senador do PSDB, Aécio Neves, e do Deputado Federal, Rocha Loures, que inclusive fazia parte da comitiva do Governador e do Prefeito nos Estados Unidos. Mesmo sendo um deputado paranaense e nada ter a ver com São Paulo.

Soa, no mínimo, estranho o fato de Doria, que chegou a fazer um vídeo condenando a corrupção após as revelações, estava em Nova York justamente com o Deputado paranaense Rocha Loures, o braço direito de Temer e que foi filmado recebendo uma mala de propina da JBS. Dias antes, Loures participou, como convidado, de um evento da empresa de Dória, em um hotel de luxo, em Foz do Iguaçu.

Em outra matéria, publicada no sábado, Doria e Alckmin defenderam que o PSDB não rompa com o governo e se mantenha na base de Temer. Os dois, como sabemos, são favoráveis às reformas trabalhista e da previdência, bem como foram favoráveis à PEC do fim do mundo e à terceirização.

Ainda no domingo, Alckmin defendeu abertamente a permanência dos tucanos e, timidamente, pediu “explicações” a Temer sobre a crise política gerada pela divulgação de seus esquemas com a JBS e de calar as investigações contra ele e seus aliados.

Assim, se por um lado, Doria e Alckmin pregam a ética na política e na gestão, por outro, fazem questão de serem parte da trama de Temer e desse governo com fim anunciado pela imprensa e pelas ruas.

O que move os dois e o PSDB? Condenam e pedem a saída de Aécio do PSDB e não pedem a de Temer. Qual será o verdadeiro motivo para Alckmin e Doria, e seu partido, o PSDB, permanecerem ao lado do golpista e não agirem pelo Fora Temer e pelas eleições diretas?

Enquanto ficamos sem essas respostas, eles seguem agindo contra o povo de forma repressiva e opressora. Um show de horror foi protagonizado por Doria e Alckmin na Cracolândia, quando dependentes químicos foram tratados como bandidos em mais uma ação truculenta, com bombas, armas de borracha e de fogo e mais de 500 policiais.

No fim de semana, denúncias de truculência foram vistas na Virada Cultural, onde pessoas que levavam placas contrárias ao Prefeito foram abordadas por pessoas armadas e artistas foram obrigados a assinar termos de compromisso contra manifestações consideradas “de cunho político” antes de subir nos palcos.

Alckmin e Doria, o Santo e o Gestor, representam hoje o retrocesso nos avanços sociais e nos direitos do povo brasileiro e mostram incoerência entre discurso e ação política.

Mesmo com tantas provas e evidências, e apesar do falso discurso moralista, a posição de Alckmin e Doria ao lado de Temer é a chave para permanência do PSDB no governo pois, num cenário onde Aécio Neves está praticamente fora do jogo e o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso não toma posições claras, os dois são agora os maiores nomes do PSDB e, portanto, os avalistas de Michel Temer.

* Alencar Santana Braga é Deputado Estadual e Líder do PT na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo



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