Secretária de Direitos Humanos de Doria diz que operação na cracolandia foi um desastre e pede demissão

Em carta, a secretária deixou claro ao prefeito que discorda da forma como a ação foi feita e que considera estar havendo violações de direitos. Vereadora reeleita em 2016, Patrícia, filiada ao PSDB, voltará à Câmara Municipal.

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Em carta, a secretária deixou claro ao prefeito que discorda da forma como a ação foi feita e que considera estar havendo violações de direitos. Vereadora reeleita em 2016, Patrícia, filiada ao PSDB, voltará à Câmara Municipal.

Da Redação*

O modo como foi conduzida a operação do prefeito João Doria (PSDB) na cracolândia, em São Paulo, no último domingo (21) levou a secretária de Direitos Humanos, Patrícia Bezerra, a entregar ao prefeito João Doria (PSDB) seu cargo na noite desta quarta-feira (24). Em vídeo que veio a público na mesma noite, Patrícia diz em reunião com membros de movimentos sociais que a operação foi “desastrosa”.

Em carta, a secretária deixou claro ao prefeito que discorda da forma como a ação foi feita e que considera estar havendo violações de direitos. Vereadora reeleita em 2016, Patrícia, filiada ao PSDB, voltará à Câmara Municipal.

No dia da ação conjunta da prefeitura com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) que prendeu traficantes e desobstruiu três vias tomadas havia anos por viciados, Doria afirmou que a cracolândia havia acabado e que começava ali o programa Redenção.

O projeto negociado com o Ministério Público, porém, estava quase todo só no papel. Uma das promessas era o cadastramento prévio dos usuários, para que recebessem encaminhamentos corretos, como tratamento médico. Sem isso, em meio a ações atabalhoadas e discursos oficiais dissonantes, o que se viu foram viciados espalhados pelas ruas e a formação de uma grande concentração deles na praça Princesa Isabel.

Promessas descumpridas

Discutido por dois meses com entidades, o programa de Doria prevê criar unidades ambulatoriais e transferir pessoas para moradia adequada.

O plano previa ainda criar um centro psicossocial na cracolândia e a ampliação do horário de 12 h para 24 h em unidade já existente na Sé –o que não foi feito até agora. Para especialistas, com os usuários de crack espalhados, o trabalho de elaboração de planos de recuperação individuais pode ser inviabilizado.

Só as medidas de zeladoria foram integralmente cumpridas –fiscalização de imóveis irregulares e limpeza das ruas. Porém, algumas das barracas e lonas que tomavam o “fluxo” foram transferidas para a nova cracolândia. Outro efeito colateral da pressa da prefeitura foi a demolição de um imóvel com pessoas dentro, ferindo três.

Isso custou derrota a Doria. A pedido da Defensoria Pública, a Justiça deferiu liminar que veta novas demolições e remoção de moradores sem encaminhamento para programas de saúde e habitação.

A reboque da crise, a prefeitura buscou a Justiça por carta branca para internar usuários à força. O pedido, que ainda será analisado pelo Judiciário, representa mais um ponto não acordado com a Promotoria.

Hoje, internações deste tipo são raras e sempre dependem de uma avaliação judicial para cada caso.

*Com informações da Folha

Foto: Divulgação



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