Testemunha da chacina do Pará ouviu policiais festejaram execuções

Por vezes, ainda de acordo com a versão do sem-terra, um policial perguntava antes de disparar: "Vira pra cá, vagabundo. Cadê os outros?". A ação teria durado cerca de duas horas. Ao final, teria ouvido "gritos e gargalhadas, como se estivessem festejando".

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Por vezes, ainda de acordo com a versão do sem-terra, um policial perguntava antes de disparar: “Vira pra cá, vagabundo. Cadê os outros?”. A ação teria durado cerca de duas horas. Ao final, teria ouvido “gritos e gargalhadas, como se estivessem festejando”.

Da Redação*

De acordo com relatos sigilosos de uma das testemunhas do massacre que matou dez pessoas no Pará, na última quarta-feira (24), as vítimas já estavam dominadas quando foram mortas.

Por vezes, ainda de acordo com a versão do sem-terra, um policial perguntava antes de disparar: “Vira pra cá, vagabundo. Cadê os outros?”. A ação teria durado cerca de duas horas. Ao final, teria ouvido “gritos e gargalhadas, como se estivessem festejando”.

Segundo relato ao Ministério Público, os agentes chegaram por volta das 7h ao acampamento, em área invadida da fazenda Santa Lúcia, no município de Pau d’Arco (867 km ao sul de Belém). Em seguida, os 28 sem-terra do grupo se dispersaram correndo.

Parte deles, incluindo a testemunha, teria se escondido em um matagal próximo e, por causa da chuva, se abrigado sob uma lona. Neste momento, a polícia os alcançou e começou a disparar, diz o relato.

Ele novamente correu e se escondeu a cerca de 70 metros de onde estava abrigado. Dali, escutou uma sequência de xingamentos e aparentemente chutes seguidos por disparos. “Logo tudo era repetido com outra pessoa”.

O depoente admitiu que havia armas no acampamento, incluindo o fuzil mais tarde apresentado pela polícia, mas disse que não houve revide.

Ele prestou depoimento sob a condição de anonimato e foi encaminhado ao programa de proteção a testemunhas.

O relato contradiz a versão do governo do Pará, segundo a qual 24 policiais civis e militares foram recebidos a tiros quando chegaram ao local.

A operação policial teria o objetivo de cumprir quatro mandados de prisão relacionados ao assassinato de um segurança da fazenda invadida, no dia 30 de abril.

Em decisão criticada pelo Ministério Público Federal, os corpos foram retirados do local por policiais civis e militares antes da perícia, contaminando a cena do massacre.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a alteração do local das mortes está sob apuração da própria Polícia Civil.

“O depoimento fortalece as dúvidas sobre a versão da polícia surgidas após a visita ao local”, afirma a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, que vistoriou o local na quinta.

Para o presidente do CNDH (Conselho Nacional dos Direitos Humanos), Darci Frigo, que também esteve na região, todas as informações disponíveis até agora indicam que não houve confronto. “A dúvida é: por que se usou tanta violência nessa operação?”

*Com informações da Folha



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