Porque nosso clamor por “Diretas Já!” não pode cessar

Apoiar a realização de eleições diretas não significa defender, nesse primeiro momento, a candidatura desse ou daquele candidato. Mas buscar restabelecer a “lógica” do sistema democrático do nosso país, que como podemos perceber ainda...

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Apoiar a realização de eleições diretas não significa defender, nesse primeiro momento, a candidatura desse ou daquele candidato. Mas buscar restabelecer a “lógica” do sistema democrático do nosso país, que como podemos perceber ainda é muito vulnerável. Em suma, não é apoiar o retorno da Dilma, ou apoiar abertamente a candidatura de Lula

Por Cleonice Elias da Silva*

Em 1984, o deputado do PMDB do Mato Grosso, Dante de Oliveira, enviou ao Congresso uma proposta de emenda constitucional para que as eleições a serem realizadas no ano seguinte ocorressem por vias diretas, ou seja, que o povo participasse da escolha do novo presidente do país. Apesar da grande mobilização popular, através da Campanha das Diretas Já, a emenda não foi aprovada e as eleições de 1985 foram indiretas, realizadas pelo Colégio Eleitoral. Tancredo Neves foi eleito, todavia, faleceu antes de tomar posse, e quem assumiu a presidência foi o seu vice, José Sarney.

Após as denúncias contra Michel Temer que se tornaram públicas espera-se que ele sofra um processo de impeachment, e que ele deixe o cargo da presidência. Na linha sucessória o presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), caso Temer deixe de ser presidente, assume provisoriamente à presidência. Diante desse contexto, as mobilizações por “Diretas Já!” vêm ganhando força pelo país.

No meu ponto de vista, apoiar a realização de eleições diretas não significa defender, nesse primeiro momento, a candidatura desse ou daquele candidato. Mas buscar restabelecer a “lógica” do sistema democrático do nosso país, que como podemos perceber ainda é muito vulnerável. Em suma, não é apoiar o retorno da Dilma, ou apoiar abertamente a candidatura de Lula.

De fato, a direita, não apenas aqui no Brasil, vem conquistando terreno político. A esquerda, diante dessa conjuntura, precisa reformular suas agendas políticas. As agendas de inícios dos anos 2000, talvez não atendam mais às necessidades atuais. O PT, que não é o único partido representante da nossa esquerda, mas sem dúvida tornou-se uma espécie de “ícone” da esquerda brasileira, para reconquistar o campo político de outrora precisa passar por uma restruturação política e pensar em novas estratégias de atuação.

A esquerda brasileira deve tentar renovar-se, novas figuras políticas têm que surgir e conquistar seus eleitores. Precisamos de novos ares na nossa política, de novas possibilidades. Acredito que nesse momento o ideal é que saíamos às ruas lutando pelas “Diretas Já”. Há trinta e três anos atrás, o clamor social não foi ouvido pelos políticos de Brasília. Nos cabe agora lutar para que as mobilizações atuais alcancem os objetivos almejados. O ideal é que, pelo menos nesse momento, as desavenças partidárias sejam deixadas de lado, e nos unamos pelo fortalecimento da democracia no nosso país.

*Cleonice Elias da Silva é doutoranda em História Social pela PUC-SP



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