SC tem ato contra o “Escola sem partido” e em apoio a professora de História, processada por aluna

Marlene de Fáveri, professora da Pós-Graduação em História da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e especialista na área de gênero, foi processada por estudante que diz sido “constrangida como anti-feminista” e sofrido “doutrinação...

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Marlene de Fáveri, professora da Pós-Graduação em História da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e especialista na área de gênero, foi processada por estudante que diz sido “constrangida como anti-feminista” e sofrido “doutrinação ideológica” após a professora abrir mão da orientação de seu projeto. Advogada da professora afirma que o que está em questão, para além do processo, é o debate sobre o “Escola sem partido”

Por Redação 

Estudantes e professores de Florinópolis (SC) realizam a partir das 15h desta terça-feira (6) um ato contra o projeto “Escola sem partido” e em apoio à professora Marlene de Fáveri, da Pós-Gradução em História da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Está prevista para hoje a conclusão do processo por danos morais que Fáveri é alvo.

A professora, especialista na área de gênero, foi processada pela aluna Ana Caroline Campagnolo, antiga orientanda de mestrado de Fáveri. Campagnolo a acusa de “doutrinação ideológica” e “perseguição religiosa” e pede indenização de R$ 17.600 por danos morais alegando “discriminação, intimidação, ameaça velada via e-mail, exposição discriminatória, humilhação em sala de aula e tentativa de a prejudicar academicamente”.

Quando descobriu que a orientanda publicava nas redes sociais conteúdos que desqualificavam o campo de estudos em gênero e feminismo, sua área, Marlene chamou a aluna para conversar e, após o diálogo, decidiu interromper a orientação. “Minha decisão irrevogável de abrir mão da orientação da mestranda se justifica devido à incompatibilidade do ponto de vista teórico-metodológico com relação à abordagem do tema quando de seu ingresso, incompatibilidade esta expressa em vídeo difundido por mídias eletrônicas, de acesso público, onde manifesta concepções, do ponto de vista acadêmico, que ferem a disciplina que ora ministro e, por extensão, a linha de pesquisa do programa de Pós-graduação em História”, justificou a professora no documento que formaliza sua solicitação de substituição ao colegiado. O pedido foi aceito. A orientanda, por sua vez, foi reprovada no mestrado por outro professor pouco tempo depois. Foi aí que decidiu abrir o processo.

Para alunos e professores, além da Associação Nacional de História (ANPUH), o processo tem como pano de fundo a questão do projeto “Escola sem partido”, que visa cercear um programa pedagógico critico, principalmente de professores da área de Ciências Humanas.

“Para que a liberdade de ensino e o direito à abordagem de gênero sejam garantidos, a Associação Nacional de História manifesta-se calorosamente nesse dia nacional de mobilização (06/06/2017), contra a Lei da Mordaça e em apoio à professora Marlene de Fáveri e a todas/os demais docentes que sofrem o mesmo tipo de perseguição”, diz nota da entidade em apoio ao ato de hoje. Leia a íntegra aqui.

E entrevista ao portal Catarinas, uma das advogadas de defesa da professora disse acreditar também que a motivação da aluna vai para além das alegações do processo e que estão ligadas às ideias defendidas pelos apoiadores do “Escola sem partido”.

“Por isso esse julgamento é importante, ele de fato representa simbolicamente a primeira ação judicializada no Brasil. A gente já tem relatos de muitos casos de assédio de alunos por conta da tal da ideologia de gênero, por conta da doutrinação política ideológica. Esse, no entanto, é o primeiro caso e por isso precisa ter uma resposta exemplar da Justiça, sob pena de vermos crescer no judiciário brasileiro casos de alunos que  acham legítimo questionar os argumentos científicos e acadêmicos dos planos de ensino das disciplinas”, disse.

Confira mais detalhes da manifestação em apoio à professora aqui.

Foto: Dieine Andrade/Portal Catarinas 



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