Anitta dá uma “Paradinha” no mundo. Leia e ouça aqui

A canção “Paradinha”, de Anitta, tem produção impecável, letra irreverente e melodia eletrizante. Logo no lançamento alcançou 500 mil streams no Spotfy e está na 182ª posição da parada mundial. Nela, a cantora coloca a sua sensualidade no avesso da exploração e do uso...

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A canção “Paradinha”, de Anitta, tem produção impecável, letra irreverente e melodia eletrizante. Logo no lançamento alcançou 500 mil streams no Spotfy e está na 182ª posição da parada mundial. Nela, a cantora coloca a sua sensualidade no avesso da exploração e do uso da fêmea. Ela é a nova mulher, que vai pra cima, rebola e exige, dita o seu tempo e espaço e desafia.

Por Julinho Bittencourt

Na última semana, dois eventos musicais absolutamente distintos e de importância diversa, lotaram o noticiário. Um deles, fartamente documentado mundo afora, foi o aniversário de 50 anos do disco “Sgt. Peppers”, dos Beatles. O outro, saído de Honório Gurgel, no Rio de Janeiro e pronto pra alcançar o mundo, foi o lançamento do clipe, “Paradinha”, da cantora carioca Anitta. Entre os dois, e um tanto em comum, milhões e milhões de ouvintes.

Os Beatles são história passada, sobretudo de sucesso e sofisticação. Anitta, resultado de esforço sobre-humano e dedicação, é uma linda história brasileira. Um conto de fadas que ameaça chegar ao seu auge, onde a protagonista é uma cinderela que desafia preconceitos e barreiras, ousadias e repetições que, feitas com tamanha e inexplicável graça, funcionam soberbamente.

Como se tentasse – ou precisasse – se justificar, a própria Anitta se sai com uma frase e tanto: “Pra reclamar do conteúdo que um brasileiro tá produzindo, é preciso entender o ambiente que ele vive. Primeiro a realidade daquela pessoa teria que ser modificada pra que ela pudesse ter acesso a outras coisas e falar sobre outras coisas”.

É sempre bom, nessas horas, lembrar Gil e a sua frase também de 50 anos atrás: “Existem várias maneiras de se fazer música brasileira. Eu prefiro todas”.

Vinda do universo do funk das periferias do Rio de Janeiro, Anitta chega à Miami cantando em espanhol, através do Regatton “Paradinha”, curioso ritmo universal que parece unir os povos da parte de baixo da linha do equador em uma só partitura. E dela fazem parte dança, moda, ritmo, sensualidade e, sobretudo, atitude.

Preocupada tanta com sofisticação quanto com comportamento e acesso, ela ainda dispara:

“Quando a pessoa critica e tenta por pra baixo um funkeiro que tá começando, ela não faz ideia da mudança que o ritmo e a oportunidade de estar numa profissão que ele oferece pode mudar na vida dessa pessoa que não tem oportunidade de ser nenhuma outra coisa”.

O fato é que a música é boa. Com produção impecável, letra irreverente e melodia chacoalhada, a canção encanta e empolga. Nascida pra ser hit, logo no lançamento alcançou 500 mil streams no Spotfy e está na 182ª posição da parada mundial, faltando pouco demais para chegar entre os cem, ou seja, na lista da Bilboard, marca acessada por poucos artistas brasileiros.

Além da musicalidade implícita, da voz poderosa e da canção certeira de sucesso, Anitta coloca a sua sensualidade no avesso da exploração e do uso da fêmea. Ela é a nova mulher, que vai pra cima, rebola e exige, dita o seu tempo e espaço e desafia do alto da sua colina: “Yo te quiero ver enlouquecer/Quiero provocarte y yo sé que/Tú no lo admites, pero puedo ver/Muérete de ganas, quieres verme hacer, a paradinha”.

E, enquanto os homens sucumbem e as mulheres sobejam, o tempo para pra ver e ouvir Anitta.

Foto: Reprodução Vídeo

 



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