Pela primeira vez na história, advogada trans faz sustentação no STF

“Sinto que estou fazendo história, mas se estou aqui perante vossas excelências é porque sou uma sobrevivente”, afirmou a advogada Gisele Alessandra Schmidt e Silva na primeira sessão que julgará a legalidade da mudança de...

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“Sinto que estou fazendo história, mas se estou aqui perante vossas excelências é porque sou uma sobrevivente”, afirmou a advogada Gisele Alessandra Schmidt e Silva na primeira sessão que julgará a legalidade da mudança de nome de transexuais no registro civil sem a necessidade de cirurgia para mudança de sexo

Por Redação* 

A advogada trans Gisele Alessandra Schmidt e Silva fez história nesta quarta-feira (7) ao se tornar a primeira mulher trans a fazer uma sustentação oral na Corte suprema do país. O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou hoje a primeira sessão do julgamento sobre a legalidade da mudança de nome de transexuais no registro civil sem a necessidade de cirurgia para mudança de sexo.

Em sua sustentação, Gisele defendeu que o Estado não pode condicionar a mudança de nome à realização da cirurgia, já que o procedimento é considerado invasivo e não é coberto pela rede pública de saúde. Ela mesma não fez a cirurgia de mudança de sexo por “não considerar que uma parte de seu corpo a define enquanto mulher e por não ter a mínima estrutura ou coragem para realizar um procedimento tão invasivo que poderia colocar sua vida em risco”.

“Estou aqui perante Vossas Excelências hoje não apenas por mim, mas sim por toda uma população de pessoas que ainda sofre imenso constrangimento e têm sua dignidade violada diariamente. Negar a uma pessoa o direito ao nome, à expressão de sua identidade, é negar o direito de existir. Requer-se a vossas excelências que não nos neguem esse direito”, afirmou.

Para a advogada, sua presença no STF é um registro histórico.

“Sinto que estou fazendo história, mas se estou aqui perante vossas excelências é porque sou uma sobrevivente”, completou.

Após a sustentação da advogada, o julgamento foi suspenso. A data para retomada ainda não foi definida. O processo foi movido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em defesa da população trans.

*Com informações da Agência Brasil

Foto: Reprodução/TV Justiça 

 



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