Gilmar Mendes diz na Folha que é “lenda urbana” a afirmação de que ele tem lado

Presidente do TSE tenta justificar voto que salvou Temer, depois de manter aberto processo e não dar trégua à ex-presidente Dilma enquanto ela esteve no Palácio do Planalto  ...

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Presidente do TSE tenta justificar voto que salvou Temer, depois de manter aberto processo e não dar trégua à ex-presidente Dilma enquanto ela esteve no Palácio do Planalto

 

Por Redação                                                                                Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Em entrevista à colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, publicada hoje, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, Gilmar Mendes, disse ser uma lenda urbana a afirmação de que ele tem lado. “Eu tenho relacionamento com todos os partidos. Dialoguei muito, e tranquilamente, com o então presidente Lula. A despeito das diferenças, tínhamos até uma relação de frequência, de amizade. Dizem, ‘ah, esteve cinco ou seis vezes com o Temer’. Eu recebi outro dia o pessoal do PCdoB. E perguntei ‘como vai nosso partido?’ ”…

Dilmar tenta justificar o injustificável na entrevista, o voto que salvou Temer da cassação, além de fazer piada com a memória alheia. É bom lembrar das inúmeras crises que criou nos governos Lula e Dilma. Por exemplo, quando usou um de seus encontros com o ex-presidente para denunciar em entrevista à Veja que sofrera pressão de Lula em relação ao mensalão num encontro com o ex-ministro Nelson Jobim. Jobim e o ex-presidente o desmentiram. Além do famoso grampo sem áudio, em que afirmou ter sido gravado pelo governo em conversa com o ex-senador Demóstenes Torres, gravação que nunca apareceu. E depois se soube que Demóstenes fazia parte de esquema criminoso e conversava sempre com um ministro do Supremo. Ou mais recentemente, nas gravações com o senador Aécio Neves, em que Gilmar fazer pressão sobre outro senador.

Mesmo no julgamento no TSE, Gilmar admitiu que foi ele quem manteve o processo enquanto Dilma era presidente. “De fato, contribuí, evitei que houvesse o arquivamento dessa ação e contribuí para o aprimoramento do sistema. Todo esse debate que estamos tendo, modéstia às favas, é graças a essa insistência. Claro que contei com a solidariedade dos colegas, mas não tivesse eu levantado o debate, muito provavelmente, teríamos chancelado, como chancelamos muitos agravos regimentais no sentido do desprovimento. Portanto, modéstia às favas, mais uma vez, esse é um voto histórico, que permitiu que se abrisse essa caixa de segredos“, ocupou, mais uma vez, Gilmar o espaço no julgamento.]

Cabe a pergunta a Gilmar, por que tanto empenho para manter a ação contra Dilma enquanto ela era presidente se agora vota pela absolvição da chapa? A posição mudou apenas por que o presidente agora é outro?



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