Miriam Leitão diz ter sido vítima de ação política que a grande imprensa apoiou, o escracho

Há controvérsias e desmentidos com relação à versão da jornalista. Mesmo assim, a Fórum sempre se posicionou contra a prática do escracho e continua mantendo a sua posição.

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Há controvérsias e desmentidos com relação à versão da jornalista. Mesmo assim, a Fórum sempre se posicionou contra a prática do escracho e continua mantendo a sua posição.

Da Redação

A jornalista Míriam Leitão publicou artigo em seu blog nesta terça-feira (13) em que denuncia ter sido hostilizada por delegados do PT que retornavam de um Congresso em Brasília, no dia 3 de junho. O caso aconteceu num voo da Avianca que ia da Capital Federal para o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, no começo da noite.

“Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo”, diz a jornalista.

Há controvérsias e desmentidos com relação à versão da jornalista. O estudante e militante Rodrigo Mondego estava no voo e deu a sua versão pelo Facebook:

“Cara Miriam Leitão,

A senhora está faltando com a verdade!

Eu estava no voo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime. O que houve foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país. A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de voo, ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso.

Se a carapuça serviu com os gritos de “golpista”, era só não ter apoiado a ação orquestrada por Eduardo Cunha e companhia, simples.

E seja sincera, a senhora odeia o Partido dos Trabalhadores e o atacou das mais diversas formas na última década, aceitando inclusive se aliar com os que antes foram seus algozes na ditadura militar”.

Se o relato da jornalista for fiel aos fatos, faz-se necessário lembrar que não é a primeira vez que isso ocorre.

O ministro Guido Mantega foi achincalhado, em fevereiro de 2015, dentro do Hospital Albert Einstein, enquanto acompanhava a mulher que fazia tratamento contra o câncer. A abertura de um texto do colunista da Veja Felipe Moura Brasil sobre o assunto: “O desastre econômico do governo Dilma agora tem mais um vídeo ilustrativo. Ele mostra o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega sendo ‘expulso’ do hospital Albert Einstein, em São Paulo, por cidadãos inconformados com o seu legado, aos gritos de ‘Safado!’ e ‘Vai pro SUS!’.”

Em outubro de 2015, o ex-ministro Alexandre Padilha, foi hostilizado por um empresário que depois foi citado na delação do ex-senador Sérgio Machado.

A atriz Letícia Sabatella foi xingada de “puta” e “sem vergonha”, em agosto de 2016, em Curitiba, por várias pessoas, inclusive o empresário Gustavo Pereira Abagge, filho de Nicolau Elias Abagge, que foi presidente do Banestado, do Paraná.

Em dezembro de 2015, o cantor, compositor e escritor Chico Buarque foi xingado numa rua do Leblon, no Rio de Janeiro, por Álvaro Garnero Filho, playboy de estirpe conhecido como Alvarinho: “Você é um merda”, “petista ladrão”, “vai morar em Paris”, “vai pra Cuba”, entre outras sandices.

Isto tudo sem contar com o retumbante e tantas vezes transmitido e propagado “Ah, Dilma, vai tomar no cu”, na abertura da Copa.

Em nenhum desses casos acima, comprovados, registrados, filmados e nunca negados ou contraditados, nem Míriam Leitão e nem nenhum de seus colegas colunistas da grande imprensa correram para defender os atacados.

A Fórum sempre se posicionou contra a prática do escracho e continua mantendo a sua posição.

Foto: Commons



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