Carina Vitral: “O movimento estudantil foi renovado com as lutas contra o golpe”

A tradicional União Nacional dos Estudantes realiza, até este domingo (18), em Belo Horizonte, capital mineira, o 55º Congresso Nacional da entidade (Conune).

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Por Lucas Vasques

A tradicional União Nacional dos Estudantes realiza, até este domingo (18), em Belo Horizonte, capital mineira, o 55º Congresso Nacional da entidade (Conune). O evento marca o 80º aniversário da UNE, em momento de intensa turbulência política, no qual o atual governo de Michel Temer ameaça acabar com uma série de conquistas sociais, entre elas as relacionadas com a área da Educação. O congresso marca, também, o término da gestão da santista Carina Vitral na presidência da UNE. Carina fala, com exclusividade, à Fórum, a respeito da importância do encontro, temas mais relevantes que estão em discussão e faz um balanço de sua participação à frente da principal entidade estudantil do país.

Revista Fórum – Em sua avaliação, qual a importância do congresso e sua expectativa quanto ao resultado prático dos debates e das mesas de discussão?

Carina Vitral – Esse, com certeza, é um congresso histórico. É o primeiro congresso depois de um golpe de estado que aconteceu no Brasil. É um congresso que uniu os jovens e os estudantes que ocuparam escolas e universidade de todo o Brasil. É um congresso que respira muita luta e que vai sair, com certeza, daqui com uma grande unidade para construir as próximas lutas no período.

Revista Fórum – Quais os temas mais relevantes que estão sendo discutidos no congresso?

Carina Vitral – A principal pauta do congresso, com certeza, é a questão democrática. A última gestão foi marcada pela luta contra o golpe. E essa próxima gestão, que nesse congresso discute as suas ideias, decide seu programa, tem como tema central retomar a democracia através de um processo de eleições diretas. Porque só o voto popular e só a legitimidade do povo podem devolver o país que a gente sonha, o país que a gente quer ver melhor, o país que luta e mantém direitos.

Revista Fórum – Como inserir os principais assuntos nacionais na pauta de interesse dos jovens?

Carina Vitral – O movimento estudantil sempre teve o protagonismo nas lutas pela educação. Mas também nunca se furtou de falar das grandes pautas nacionais. A UNE nasceu lutando contra a guerra, lutando contra o fascismo, empreendeu uma grande campanha do Petróleo é Nosso, resistiu à ditadura militar, conquistou a democracia, derrubou presidente, ou seja, sempre foram pautas da juventude brasileira as grandes questões nacionais e a UNE tem um papel fundamental em ter proposto esses grandes temas. Porque sem uma organização de luta da juventude e de luta dos estudantes isso não seria possível.

Revista Fórum – Em linhas gerais, como você observa o atual momento do movimento estudantil? Você acha que tem o mesmo peso de anos anteriores, quando os estudantes assumiram um papel de protagonismo nas lutas nacionais?

Carina Vitral – O movimento estudantil e essa geração foram renovados com as lutas contra o golpe e, em especial, as ocupações estudantis. Essa é uma nova geração, mais impulsionada, e que mostrou que o movimento estudantil está mais vivo do que nunca.

Revista Fórum – Pode fazer um balanço da sua gestão e citar as principais conquistas?

Carina Vitral – As principais conquistas da gestão foram a própria luta e a resistência. Porque a conjuntura não deixou que a gente tivesse grandes conquistas para o Brasil no setor da educação para a juventude brasileira, O que nós tivemos foram a luta e a resistência. Então, eu destacaria a luta contra a redução da maioridade penal, que empreendeu todo o início da gestão, a resistência ao golpe e a criação das frentes de luta – Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo – que a UNE ajudou a construir e a consolidar. Ter estado do lado certo da história também é uma vitória com relação ao golpe, as ocupações estudantis, que alcançaram 100% das universidades públicas de nosso país. E, agora, no final, uma grande campanha Fora Temer e Diretas Já, que está ampliando para toda sociedade, que está unindo artistas, movimentos, partidos e todo mundo que acredita na democracia. Essas, a meu ver, são as conquistas da gestão.

 

 



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