Parada LGBT já é o maior evento de São Paulo

Com um público estimado de 3,5 milhões de pessoas, a festa – que é acima de tudo um ato político – deixou para trás em questão de público grandes eventos como a festa de final...

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Com um público estimado de 3,5 milhões de pessoas, a festa – que é acima de tudo um ato político – deixou para trás em questão de público grandes eventos como a festa de final de ano, os protestos políticos pró e contra o impeachment e até a Marcha para Jesus, evento que reuniu cerca de 2 milhões de pessoas há poucos dias

Por Luiz Henrique Dias

A Parada do Orgulho LGBT, ocorrida neste domingo (18) na avenida Paulista, em São Paulo, consolidou o evento como o maior da cidade e do país.

Com um público estimado de 3,5 milhões de pessoas, a festa – que é acima de tudo um ato político – deixou para trás em questão de público grandes eventos como a festa de final de ano, os protestos políticos pró e contra o impeachment e até a Marcha para Jesus, evento que reuniu cerca de 2 milhões de pessoas há poucos dias.

Organizado pela Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo (APOGLBT), o evento chegou a 21ª edição e se consolidou como mecanismo de celebração e visibilidade.

Brasil em número: violência contra LGBT

O Brasil, apesar do discurso de inclusão e igualdade, ainda é um país homofóbico.

Somente em 2016, segundo dados apresentados por entidades ligadas aos direitos da população LGBT, quase 350 pessoas foram mortas por crimes de ódio, a maioria travestis. Esse dado é pequeno perto da real situação de subnotificação dessas mortes.

Na Marcha para Jesus, tolerância 

Na sombra do discurso da chamada Bancada Evangélica no Congresso, os participantes da Marcha para Jesus, ocorrida na última quinta-feira (14) na capital paulista, não destilam o mesmo ódio à população LGBT.

Um levantamento feito por professores da USP e da Unifesp, e divulgado pelo Portal el País, mostrou que 77% dos entrevistados concordaram com a frase “a escola deveria ensinar a respeitar os gays”. Segundo o Portal, “esse posicionamento colide com a forte de oposição da bancada evangélica à discussão de gênero e sexualidade nas escolas” e fornece um raio-x sobre o tema.

Análise

O que se viu na avenida Paulista foi um ato de amor e visibilidade.

Mas, para além da grande celebração, é preciso ir mais longe e lembrar da população LGBT que não esteve na avenida Paulista: a população em situação de total vulnerabilidade nas periferias distantes ou mesmo nas áreas centrais da Capital, muitas em situação de rua, vivendo com a constante violência e sob o preconceito, sem adequado atendimento social e de saúde, sem perspectivas de mudança ao curto prazo e vítimas de uma prevalência de HIV muito maior do que a da população geral.

Precisamos estar atentos e atentas às ações brutais como as feitas por Doria e Alckmin na região chamada de cracolândia e lutar pela expansão dos serviços especializados de saúde e pela continuidade e ampliação do Programa Transcidadania.

Somente assim, com inclusão, teremos uma cidade de todas as cores e todos os amores.

Foto: Cesar Itiberê / Fotos Públicas



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