Morador de rua do Minhocão encaminhado a emprego por Doria volta às ruas

Logo após o caso ganhar notoriedade na imprensa, Wlademir ganhou teto num abrigo, fez cursos, terapia e entrevista de emprego por meio de um programa de reinserção de sem-teto ao mercado de trabalho da gestão João Doria (PSDB). Assim que sumiu do noticiário, sua...

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Logo após o caso ganhar notoriedade na imprensa, Wlademir ganhou teto num abrigo, fez cursos, terapia e entrevista de emprego por meio de um programa de reinserção de sem-teto ao mercado de trabalho da gestão João Doria (PSDB). Assim que sumiu do noticiário, sua vida foi voltando ao que era. Há uma semana, ele retornou ao mesmo local onde estava antes.

Da Redação*

O morador de rua Wlademir Delvechio, 33, que teve a casa improvisada sob o Elevado Presidente João Goulart, em frente ao metrô Marechal Deodoro, no centro da capital paulista destruída pela prefeitura, voltou às ruas há uma semana.

Logo após o caso ganhar notoriedade na imprensa, Wlademir ganhou teto num abrigo, fez cursos, terapia e entrevista de emprego por meio de um programa de reinserção de sem-teto ao mercado de trabalho da gestão João Doria (PSDB). Assim que sumiu do noticiário, sua vida foi voltando ao que era. Há uma semana, ele voltou ao mesmo local onde estava antes.

Após deixar o abrigo da prefeitura, foi amparado pelo irmão, um pastor evangélico que descobriu seu paradeiro pelo jornal. Alemão foi levado pelo irmão a Itajaí (SC), onde mora a família. Ele chora ao se lembrar do reencontro com a mãe. “Ela queria que eu ficasse lá, mas gosto de fazer meus ‘corres’ com liberdade.”

De volta à capital paulista, diz que se batizou. Um dia resolveu descer às águas na Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R Soares, por conta própria. Escolheu o prédio da igreja na Avenida São João, também no centro, para realizar o ato de fé. “Me senti muito bem.”

Vive de fazer bicos. No último serviço executado, ganhou alguns trocados como pintor. Sempre acorda muito cedo. Diz que os colegas dormem o dia todo porque são depressivos.

O primeiro “corre” do dia é com a higiene pessoal. A água que usa para lavar o rosto e escovar os dentes vem de uma lanchonete. Também usa o banheiro do metrô para tomar banho improvisado.

Alemão é muito benquisto por todos. “Ele é diferenciado dos demais. Sempre que posso sento lá e converso com ele”, diz a atendente Vanessa Santos, 23. Nunca foi visto sujo e sempre está de barba feita, dizem os vizinhos.

Agora, Alemão tem dois problemas a resolver. O primeiro, diz ele, mais fácil, é achar um carregador para voltar a fazer vídeos de um celular que achou no lixo. “É ele [aparelho] que me tira das ondas.”

O segundo, mais difícil, é rever os filhos, de oito e 16 anos, que moram com a ex-mulher, em Ilha Comprida (no litoral sul de SP). “Eu ainda não tenho condições para isso”, afirma, emocionado.

A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social diz, por meio da assessoria, que Wlademir Delvechio foi atendido por assistentes sociais e psicólogos como uma das fases para ser encaminhado ao mercado de trabalho.

A pasta confirmou que Delvechio fez uma entrevista de emprego, porém, “deveria ter continuado a capacitação a fim de participar de novos processos”, segundo a nota.

A secretaria afirmou ainda que estava à procura de Delvechio e que existe uma nova vaga de emprego no perfil dele. A ver.

*Com informações da Folha

Foto: Prefeitura de São Paulo



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