Temer declara que frustrou ‘interesses de gente poderosa’

A declaração, aparentemente, foi endereçada a Joesley Batista, dono da JBS, que recebeu vários aportes do BNDES (que se tornou acionista do grupo), mas reclamou com Temer, em reunião no Palácio do Jaburu, que o acesso ao banco tinha ficado difícil no seu governo.

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A declaração, aparentemente, foi endereçada a Joesley Batista, dono da JBS, que recebeu vários aportes do BNDES (que se tornou acionista do grupo), mas reclamou com Temer, em reunião no Palácio do Jaburu, que o acesso ao banco tinha ficado difícil no seu governo.

Da Redação*

Durante cerimônia de um ano da sanção da Lei de Responsabilidade das Estatais, nesta quinta-feira (29), o presidente Michel Temer declarou, em tom de voz alterado, que frustrou “interesses de gente poderosa” nas estatais federais, como Petrobras e BNDES. Ele disse ainda que pôde constatar logo em seguida “essa frustração de gente que se servia da atividade de empresas públicas para objetivos não lícitos”.

A Lei de Responsabilidade das Estatais, sancionada em junho de 2016, quando ele ainda era presidente interino, fixou critérios para nomeação de diretores de empresas públicas (como proibir nomeação de políticos) e aumentou o rigor das regras para licitações.

A declaração, aparentemente, foi endereçada a Joesley Batista, dono da JBS, que recebeu vários aportes do BNDES (que se tornou acionista do grupo), mas reclamou com Temer, em reunião no Palácio do Jaburu, que o acesso ao banco tinha ficado difícil no seu governo. A conversa foi gravada e entregue ao Ministério Público Federal e acabou provocando a maior crise política do atual governo. O áudio é o principal elemento da denúncia de corrupção passiva feita contra ele pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Segundo Temer, “o objetivo [de impor maior controle nas estatais] não era só moralista”, mas “salvar um patrimônio que pertence a todos os brasileiros”. Ele enumerou, entre outros exemplos, o da Petrobras, que de acordo com o governo, saiu de um prejuízo de R$ 385 milhões em 2015 para um lucro de R$ 4,8 bilhões no ano passado”. “Após sete anos de crescimento acentuado de suas dívidas, as estatais federais viram reduzir seu endividamento em 24% e o valor de mercado dessas empresas conheceu um incremento extraordinário”, afirmou.

*Com informações da Veja

Foto: Lula Marques/AGPT

 



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