Mãe e filha são mortas pela polícia no morro da Mangueira, de acordo com parentes

Pouco antes de morrer, Ana Cristina fez uma postagem no Facebook, por volta das 11h, referindo-se ao confronto que acontecia na Mangueira e que já durava, então, quase três horas.

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Pouco antes de morrer, Ana Cristina fez uma postagem no Facebook, por volta das 11h, referindo-se ao confronto que acontecia na Mangueira e que já durava, então, quase três horas.

Da Redação*

Mãe e filha morreram baleadas em meio a um intenso tiroteio no Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio, na manhã desta sexta-feira. Marlene Maria da Conceição, de 76 anos, e Ana Cristina Conceição, de 42, ainda foram levadas para o Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, mas chegaram mortas à unidade de saúde.

Segundo um sobrinho de Marlene que está no Salgado Filho, mas não quis se identificar, a idosa foi atingida por quatro tiros: um no pescoço, um em cada mão e um no joelho. Em seguida, a filha tentou socorrê-la, mas também foi baleada.

– Foi uma matança, os policiais sabiam que era uma senhora de idade – disse ele. – Não sei o motivo. Não entendo se os policiais são treinados para salvar ou para matar.

Segundo informações, as vítimas desciam o morro a caminho do trabalho quando foram atingidas.

Pouco antes de morrer, Ana Cristina fez uma postagem no Facebook, por volta das 11h, referindo-se ao confronto que acontecia na Mangueira e que já durava, então, quase três horas: “Não dá pra acreditar”. Em post no dia 24 de maio, ela também se queixou sobre a violência: “Muito tiro. Deus proteja-nos aqui na Mangueira”. Ela foi atingida por um tiro nas costas.

O último post de Ana Cristina
O último post de Ana Cristina

De acordo com familiares, desesperado ao ver o corpo da mulher, o marido de Ana Cristina deu um soco na parede e quebrou a mão.

Em protesto pouco depois das mortes, um ônibus da linha 627 (Inhaúma x Saens Peña) foi incendiado no Viaduto da Mangueira, que agora está fechado nos dois sentidos. A Radial Oeste está interditada na altura do elevado, assim como a Rua Visconde de Niterói.

A troca de tiros começou quando agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Mangueira faziam um patrulhamento. De acordo com a assessoria de imprensa das UPPs, os policiais foram atacados por criminosos na localidade conhecida como Buraco Quente.

Segundo o titular da Delegacia de Homicídios da Capital, Fábio Cardoso, equipes do Grupo Especial de Local do Crime (GELC) estão nas ruas em diligências.

– As equipes do GELC estão na rua para tratar e investigar estes crimes e, para não expor a investigação e por questão de segurança de testemunhas e vítimas, não divulgamos as diligências realizadas – falou.

Desde cedo moradores relatam, em redes sociais, um intenso tiroteio na comunidade, que começou durante uma operação da Polícia Militar. De acordo com eles, os tiros começaram no início da manhã e foram se intensificando. Há comentários sobre sons de bombas explodindo na favela.

Em nota, a assessoria de imprensa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não comentou em que circunstâncias as mulheres foram baleadas e disse que mais informações serão dadas pela Polícia Civil:

“Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Mangueira, policiais em patrulhamento na manhã desta sexta-feira, 30/06, foram atacados por criminosos na localidade conhecida como Buraco Quente. Houve confronto e, nesse momento, um grupo tenta interditar as vias de acesso à comunidade e incendiar ônibus e pneus. O Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) e outras UPPs e batalhões da região reforçam o policiamento. Há informações sobre um homem ferido que foi socorrido por moradores e levado em um caminhão de gás para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Também há informações sobre duas mulheres socorridas por parentes para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. Elas não resistiram aos ferimentos e a Divisão de Homicídios foi acionada para a Unidade hospitalar.

Mais informações com a Polícia Civil.”

Em nota, a Rio Ônibus informou que os veículos que operam nas imediações da comunidade da Mangueira alteraram o itinerário para a Rua São Luiz Gonzaga e Avenida Radial Oeste. A empresa ainda informou que o motorista do coletivo incendiado foi agredido pelos criminosos ao tentar evitar o ataque. Somente nos seis primeiros meses do ano, 65 ônibus foram incendiados. O prejuízo do setor ultrapassa os R$ 48 milhões.

Outros confrontos

Outras duas comunidades com UPPs registraram tiroteios, na manhã desta sexta. No Complexo do Alemão, uma base da unidade foi atacada. No Pavão-Pavãozinho, também houve confronto.

*Com informações do Extra

Foto: Reprodução Facebook

 



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