Abdelmassih teve laudo assinado por companheiro de cela condenado por abusar sexualmente de pacientes

Uma decisão liminar (provisória) do Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o benefício de prisão domiciliar.

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Uma decisão liminar (provisória) do Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o benefício de prisão domiciliar.

Da Redação*

Logo após passar por exame de corpo delito no IML (Instituto Médico Legal) na capital, o ex-médico Roger Abdelmassih, 73, chegou ao presídio de Tremembé (147 km de São Paulo) às 12h25 deste sábado (1º).

Uma decisão liminar (provisória) do Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o benefício de prisão domiciliar.

Um documento, assinado pelo cardiologista Lamartine Cunha Ferraz, diz que Abdelmassih sofre de cardiopatia grave, que deve ser tratada de forma clínica, com administração de medicamentos “facilmente usados em qualquer ambiente fora do hospital”. Na ocasião, a juíza Sueli e a defesa de Abdelmassih se recusaram a comentar o caráter inconclusivo do laudo que embasou a decisão.

“Não bastasse, há notícia de que médicos internados no presídio relataram que Roger Abdelmassih deixou propositalmente de medicar-se, a tornar duvidosa a criação de situação ensejadora de seu afastamento do cárcere”, escreveu o desembargador.

Além do laudo feito a pedido da Justiça, a defesa anexou ao processo mais dois pareceres médicos que atestaram a grave condição de saúde do preso. Um deles foi assinado pelo ginecologista Hélcio Andrade, condenado por abusar sexualmente de pacientes, que dividia cela com Abdelmassih.

O parecer do desembargador José Raul Gavião de Almeida acatou pedido de mandado de segurança feito pelo promotor Luiz Marcelo Negrini de Oliveira de Mattos, da 3º Procuradoria de Justiça de Taubaté, para que o ex-médico fosse mandado de volta ao presídio.

Na decisão, o desembargador diz que presos com histórico de evasão só podem receber o benefício da prisão domiciliar em “hipótese de absoluta necessidade”. Abdelmassih, que foi condenado a 181 anos de prisão por abusar sexualmente de pacientes, chegou a ficar três anos foragido antes de ser preso em Assunção, no Paraguai, em agosto de 2014.

O desembargador também atribuiu a decisão ao laudo médico anexado ao processo a pedido da juíza da 1ª Vara de Execuções Criminais de Taubaté, Sueli Zeraik Oliveira Armani, que concedeu a prisão domiciliar.

Na prisão, o ex-médico, alegando problemas de saúde, chegou a pedir uma cadeira de rodas à direção do presídio. Nos dias de visita, porém, ele era visto caminhando normalmente.

Preso desde agosto de 2013 em Tremembé, o ex-médico passou por uma série de internações. Em dezembro do ano passado, ele foi submetido a uma cirurgia para a colocação de um stent no coração no hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. Em abril, ele chegou a ser levado em estado grave com insuficiência respiratória para o Hospital Geral de Taubaté.

*Com informações da Folha 

Foto: Secretaria Nacional De Antidrogas do Paraguai



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