Professoras(es) da USP pedem Cotas Raciais na Universidade

Na última segunda-feira, 03 de julho, 290 professoras(es), dos mais diversos departamentos da Universidade de São Paulo encaminharam um manifesto para o Conselho Universitário, intitulado “Por cotas raciais na USP já!”. No documento, os docentes afirmam que é insuficiente a decisão tomada pelo Conselho...

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Na última segunda-feira, 03 de julho, 290 professoras(es), dos mais diversos departamentos da Universidade de São Paulo encaminharam um manifesto para o Conselho Universitário, intitulado “Por cotas raciais na USP já!”. No documento, os docentes afirmam que é insuficiente a decisão tomada pelo Conselho de Graduação que aponta para a reserva de 50% das vagas para estudantes oriundos das escolas públicas.

Por Joselicio Junior*

Na última segunda-feira, 03 de julho, 290 professoras (es), dos mais diversos departamentos da Universidade de São Paulo encaminharam um manifesto para o Conselho Universitário, intitulado “Por cotas raciais na USP já!”. O conselho se reunirá nesta terça-feira e irá decidir sobre o vestibular de 2018.

No documento, os docentes afirmam que é insuficiente a decisão tomada pelo Conselho de Graduação que aponta para a reserva de 50% das vagas para estudantes oriundos das escolas públicas: “Consideramos essa proposta totalmente insuficiente, já que estudos apontam que as cotas somente para escolas públicas não bastam para garantir que a Universidade alcance a meta da composição étnico-racial da população. Apoiamos a reivindicação de cotas étnico-raciais que devem ser igualmente distribuídas em todos os cursos e em todos os períodos, refletindo no mínimo a proporção de PPI (Pretos, Pardos e Indígenas) na população do Estado de São Paulo, tal como formulado pelas fundamentais iniciativas da Frente Pró-Cotas, Por que a USP não tem Cotas?, Núcleo de Consciência Negra, Ocupação Preta e Levante Indígena”.

A iniciativa, encabeçada por Kabengele Munanga, Marcia Regina e Dennis Oliveira, importantes intelectuais e ativistas da luta antirracista, conclui enfatizando que a USP está atrasada, já que a política de cotas é aplicada no país há mais de 15 anos e que a decisão de implantar as cotas cabe a sociedade que financia a universidade e mesmo excluída dela. “Tal decisão já foi tomada, graças às lutas do movimento negro, e só nos cabe implementar políticas de permanência para receber as alunas e os alunos cotistas da melhor forma e com o máximo de apoio possível”, conclui.

O documento apresentado se soma a luta que está sendo travada pelo Núcleo de Consciência Negra, a Frente Pró-Cotas, Por que a USP não tem Cotas, Ocupação Preta, Levante Indígena e o DCE, que tem feito diversas mobilizações, inclusive a 2ª Virada Cultural por cotas na USP. Esses movimentos apresentaram uma proposta para o Conselho de Graduação que estabelecia um recorte étnico –racial, proporcional a presença da população negra e indígena no estado de São Paulo a partir dos dados do censo do IBGE, dentro da reserva de 50% para estudantes vindos da escola pública e foi rejeitada.

Algumas Faculdades da USP estão admitindo o ingresso de estudantes através do SISU (Sistema de Seleção Unificada), que utilizam a nota do ENEM, e dentro dessa seleção estão estabelecendo cotas raciais. Aprovaram esse sistema a ECA, a Faculdade de Direito e mais recentemente a Medicina. Essas medidas representam um avanço apesar do baixo número absoluto de ingressantes.

*Joselicio Junior, mais conhecido como Juninho é Jornalista, Presidente Estadual do PSOL – SP e militante do Círculo Palmarino, entidade do movimento negro.

Veja os documentos abaixo:

proposta-frente-pro-cotas

Cotas Final

Foto: EBC Commons

 



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