Mais uma menina é morta em comunidade do Rio e pai acusa polícia

"Será que essa mesma abordagem seria feita dessa mesma forma em um apartamento em algum lugar da Zona Sul, em algum apartamento do Leblon? Questionou a tia da menina.

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“Será que essa mesma abordagem seria feita dessa mesma forma em um apartamento em algum lugar da Zona Sul, em algum apartamento do Leblon?” Questionou a tia da menina.

Da Redação*

Em entrevista à rádio CBN, o pedreiro Leandro Monteiro de Matos, 39 anos, pai da menina Vanessa dos Santos, morta nesta terça-feira (4), com tiro na cabeça no conjunto de comunidades no Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio, disse acreditar que a o tiro que atingiu a cabeça de sua filha partiu da arma de policiais.

De acordo com ele, os policiais estavam à procura de traficantes na entrada da casa da família, na comunidade Boca do Mato, e atiraram para dentro da residência.

“Não tem como eles alegarem que atiraram de longe e acertaram, que foi uma bala perdida. Não tem como, onde ela foi atingida, ter sido tiro dado de longe. E também pelo relato da madrinha que estava na hora, que presenciou eles atirando pra dentro de casa, e antes deles começarem a atirar ela pediu pra eles pararem. ‘Minha afilhada está aí, eu vim buscar porque ela chegou da escola agora’. Eles não deram tempo, já chegaram atirando”, disse Leandro à rádio CBN.

Segundo o pai da criança, as últimas palavras da filha foram: “Vou colocar o chinelo, madrinha”, afirmou ele enquanto aguardava a liberação do corpo da menina no Instituto Médico Legal (IML). Ainda de acordo com ele, um policial militar estava dentro do imóvel. A presença do PM foi percebida pela madrinha de Vanessa, que perguntou o que ele estava fazendo ali dentro.

“Será que essa mesma abordagem seria feita dessa mesma forma em um apartamento em algum lugar da Zona Sul, em algum apartamento do Leblon? Existem pessoas honestas e decentes vivendo em favelas. A polícia não pode entrar em nossas casas dessa maneira. As UPPs deveriam nos trazer segurança, mas o que acontece é o oposto”, afirmou a tia de Vanessa, Tatiana Cristina Lopes.

Vanessa foi morta nesta terça-feira (4) com um tiro na cabeça, durante um tiroteio na favela Camarista Méier. O corpo de Vanessa será sepultado na quinta-feira (6), às 13h, no cemitério de Inhaúma. Segundo a ONG Rio de Paz, ela é a quinta criança vítima de bala perdida no Rio em 2017.

“Não consigo nem explicar o que estou sentindo. Ainda tenho que fazer eu mesmo entender que terei que enterrar minha filha amanhã”, lamentou o pai.

A Polícia Militar disse que os traficantes estavam atrás da casa onde Vanessa morava e que eles atiraram por uma janela contra os policiais e teriam atingido a menina. A Divisão de Homicídios investiga de onde partiu o tiro que atingiu a criança.

Além de Vanessa, o subcomandante da UPP, tenente Márcio Luiz, também foi atingido por um dos disparos durante o confronto. O oficial foi baleado no ombro e levado para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins, e não corre risco de vida. A PM informou que o Batalhão de Choque e outras UPPs da região reforçaram o policiamento na comunidade.

*Com informações do G1 e da Rádio CBN

 



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