Temer vai ao G 20 para controlar danos, diz professor da FGV

“O desgaste não teria sido apenas do seu governo, mas da imagem do Brasil como ator global", afirma o professor.

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“O desgaste não teria sido apenas do seu governo, mas da imagem do Brasil como ator global”, afirma o professor.

Da Redação

Para o professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV) Oliver Stuenkel, a presença do presidente Michel Temer na reunião de cúpula do G20 pode ser encarada como uma tentativa de “controle de danos”, tanto externos quanto internos, diante das críticas que surgiram após a informação inicial de que ele não iria ao fórum. “O não comparecimento do presidente teria um custo muito elevado e sinalizaria para o país e para o mundo que a instabilidade política atingiu um grau mais explícito. Nesse sentido, foi uma decisão correta. O desgaste não teria sido apenas do seu governo, mas da imagem do Brasil como ator global”, afirma Stuenkel.

O professor da FGV avalia que também seria grave se o presidente não comparecesse a uma reunião em que o tema principal deve ser o novo posicionamento global dos Estados Unidos com Donald Trump no governo. A presença de Temer se torna ainda mais necessária após Trump criar dificuldades para a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“Michel Temer precisa convencer Trump a apoiar a adesão do Brasil à OCDE. O presidente precisa mostrar que o país não está disposto a abrir mão do seu papel como ator construtivo do sistema internacional e que não quer ficar isolado das discussões que serão travadas no encontro”, ressalta.

Oliver Stuenkel pondera, no entanto, que apesar de o presidente Temer tentar passar um ar de normalidade, é certo que outros líderes do G20 vão encará-lo como um governante enfraquecido. Mas o especialista em relações internacionais lembra que Brasil não é o único país do G20 que enfrenta uma crise política.

“Todos sabem que o Brasil é importante demais e que Temer vai deixar o poder algum dia. Até lá, os líderes vão procurá-lo, não porque querem formar laços com o presidente, mas porque sabem que o Brasil é um ator importante e que as parcerias entre países são de longo prazo”, conclui.

Foto: Beto Barata/ PR



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