Morre Ecléa Bosi, professora emérita da USP que em sua obra dava voz a pessoas ‘comuns’

Falecimento aconteceu nesta segunda-feira. Ecléa, professora emérita do Instituto de Psicologia da USP, destacou-se em obras sobre a velhice, cultura popular e leituras operárias, dando voz para que as próprias pessoas contassem suas histórias  ...

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Falecimento aconteceu nesta segunda-feira. Ecléa, professora emérita do Instituto de Psicologia da USP, destacou-se em obras sobre a velhice, cultura popular e leituras operárias, dando voz para que as próprias pessoas contassem suas histórias

 

Por Redação

 

Faleceu nesta segunda-feira Ecléa Bosi, professora emérita do Instituto de Psicologia da USP, e uma das idealizadoras de programa que abriu a universidade para pessoas da terceira idade, que coordenou até o final de 2016. Ecléa, que era casada com o crítico literário Alfredo Bosi, destacou se por obras como Memória e Sociedade – Lembranças de Velhos, Cultura de Massa e Cultura popular – Leituras de Operárias e Simone Weil e A Razão dos Vencidos.

Segundo perfil da professora, publicado à época em que recebeu o título de professora emérita, em 2008, era difícil definir Ecléa por todas suas habilidades como professora, pesquisadora, escritora, poetisa e militante. “Essa dificuldade se dá por conta da multiplicidade de dons e, conforme o caso, é até mesmo difícil identificá-los, tão bem escondidos que foram pelo recato de sua portadora”, disse à época ao Jornal da USP o professor e colega de trabalho Paulo Salles Oliveira.

À mesma publicação, a professora Marilena Chauí destacou que Ecléa buscou propor uma visão operária do mundo segundo as próprias operárias, ou uma visão da cidade, do tempo, da vida e da história segundo a fala dos próprios idosos. “Não buscou produzir um discurso sobre elas e eles, mas deixa falar o discurso delas e deles.”

A própria Ecléa falou à publicação de seu livro sobre memórias das operárias paulistas. “Preocupei-me em colher depoimentos do cotidiano das operárias. Queria saber como era a vida, a condução, o lazer, as emoções, as aspirações. Lembro-me de uma delas, que gostava muito de Castro Alves e que, com as outras colegas de trabalho, comprou a obra completa desse poeta”.



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