Ninguém pode estar feliz com o que está acontecendo no Brasil, diz Haddad

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-prefeito da capital paulista referiu-se às denuncias contra ele feitas na campanha a partir de delação premiada, inclusive na Folha, que depois foram desmentidas, mas o estrago já estava...

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Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-prefeito da capital paulista referiu-se às denuncias contra ele feitas na campanha a partir de delação premiada, inclusive na Folha, que depois foram desmentidas, mas o estrago já estava feito. Sobre a possibilidade de substituir Lula como candidato caso o ex-presidente seja impedido de disputar a eleição, diz que não vê essa possibilidade

 

Por Redação*      Foto: Heloisa Ballarini/ Secom

 

 

Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S.Paulo, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad falou sobre os estragos que a delação premiada faz se não tiverem um código rígido para sua aplicação, da candidatura do presidente Lula e das críticas que sofreu quando era prefeito. Leia alguns dos principais trechos

 

Sobre a condenação de Lula

No processo em que o Lula foi condenado não há prova consistente, segundo muitas vozes do Direito. A tese por trás da condenação é a de que o presidente, que tinha declaradamente um apartamento em um empreendimento, iria trocar esse imóvel por uma cobertura, que não seria paga. É no mínimo extravagante. É muito difícil que alguém que pretendesse lavar dinheiro, Lula ou qualquer pessoa, usasse esse expediente.

Se Lula não for candidato

Eu não imagino. Não consigo imaginar esse cenário.

Mas se acontecer

Ano passado dei entrevista à Folha dizendo que existia uma tendência no pós-neoliberalismo de enfrentamento entre a direita e a extrema direita. É a tendência no mundo, temos vários exemplos. Seria terrível para o Brasil. Abriria espaço para um tipo estranho de fundamentalismo.

Sobre a Lava Jato

A Lava Jato não é uma coisa só, são várias ações, inclusive de pessoas que não se sentam à mesma mesa. O MPF, na pessoa do procurador-geral [Rodrigo Janot], descortinou uma realidade diferente da que os brasileiros imaginavam até o ano passado, quando todas as informações relativas a outros partidos estavam represadas. O resultado [de 2016] não deixa de ser um reflexo disso.ulo, 40%. Hoje a situação mudou…

O procurador-geral [Rodrigo Janot] mostrou que o problema transborda da questão partidária para o sistema político. Mas há uma tensão dentro Lava Jato, e não vou nominar por razões óbvias, mas dentro da operação há os que querem passar a República a limpo e os que usam a operação com fins políticos.

Denúncias da UTC de caixa 2 contra Haddad na eleição de 2016

Ricardo Pessoa diz que pagou, depois da minha eleição, R$ 2,6 milhões para uma gráfica. A única coisa que eu sabia é que havia frustrado expectativas da UTC no começo do meu governo, suspendendo sua principal obra na cidade. O que disse o dono da tal gráfica, que finalmente prestou depoimento, em junho deste ano? Que recebeu os recursos, mas não por serviços prestados à minha campanha. Não há reparação possível para isso. A eleição [2016] passou.

Mandato de Temer vai até o fim ou não
Se a direita estivesse coesa em torno do Temer, independentemente de qualquer consideração de ordem moral, ele iria até o fim. Mas o fato é que não há coesão. A dúvida é o quanto essa fissura é significativa para, com os votos da oposição, conseguir o afastamento para que ele seja julgado pelo Supremo.

Críticas a sua administração

Tive praticamente todas as rádios contra a administração. Crítica eu soube ouvir. Ouvi quatro anos. Não há registro de que eu tenha me queixado de jornalista. Agora eu falo. Há um monopólio midiático. Passar isso para a geração seguinte é quase que uma obrigação. Sou professor. Tenho que reportar que as instituições não funcionam. Não existe República. Existem facções que não conseguem preservar o solo do embate desejável.

 

*Com informações da Folha de S.Paulo



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