Alunos da Federal do Acre acusam professor de dizer que “homossexualidade é uma anomalia genética”

A pregação homofóbica do professor de jornalismo, Mauro Rocha, será alvo de investigação por parte da reitoria da universidade. Entidades estudantis soltaram nota de repúdio.

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A pregação homofóbica do professor de jornalismo, Mauro Rocha, será alvo de investigação por parte da reitoria da universidade. Entidades estudantis soltaram nota de repúdio.

Por Julinho Bittencourt

De acordo com nota do jornalista Altino Machado, em sua conta no Facebook, o professor Mauro Rocha (foto), do curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), onde ministra a disciplina de sociologia da comunicação, faz pregação homofóbica em sala de aula.

Altino afirma que Mauro solta em sala de aula frases do tipo: “Os homossexuais inventaram a AIDS”, “mulheres lésbicas são frutos de abusos dos pais”, “homossexualidade é uma anomalia genética”, “gays não podem adotar” e finalizou com “ser gay é uma opção”.

Perguntado sobre o assunto, o reitor da UFac, Minoru Kinpara, disse que diante de fatos como este ou semelhantes a universidade faz o que está previsto no seu estatuto. “Nós abrimos um processo de investigação para escutar o aluno envolvido e também o professor. Só mediante ou não da sua comprovação é que nós vamos tomar as medidas administrativas punitivas que também estão previstas no nosso regimento, no nosso estatuto”.

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O reitor da UFac, Minoru Kinpara

Minoru disse ainda que “por enquanto nós ficamos sabendo de boatos que precisam ser apurados. Nós estamos nessa fase de dar o direito de defesa do professor e do aluno envolvido e só depois nós tomaremos as devidas providências de punir os responsáveis”.

Para encerrar, o reitor disse que a gestão da UFac tem por princípio básico o respeito de ambas as partes. “Não só o do professor com os alunos, que tem as suas posições, as suas divergências, coisa que é perfeitamente natural numa instituição que é plural. Nós não aceitamos discriminação nenhuma, de nenhum lado. Nossa universidade é plural. Essas convergências e divergências devem ser tratadas com respeito, isso é um princípio que a gente defende e tem que estar sempre garantido”, concluiu.

Procurado pela Fórum o professor Mauro Rocha não respondeu às ligações.

Tanto o Diretório Central dos Estudantes da UFac quanto o Centro Acadêmico do Curso de Jornalismo divulgaram notas de repúdio. Veja abaixo:

DCE

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Acre, vem em nota, posicionar-se a respeito do ocorrido no dia 12 de Julho de 2017, na turma do segundo período do curso de Jornalismo desta instituição, envolvendo o professor de Sociologia da Comunicação e os discentes.

O DCE UFAC que pauta desde o princípio de suas atividades o respeito a pluralidade que a Universidade representa, se posiciona de forma contrária a todo e qualquer discurso de ódio e/ou homofóbico dentro e fora da instituição.

Em um espaço de emancipação e troca de conhecimentos como o meio acadêmico, não podemos aceitar em hipótese alguma que qualquer discente se sinta repreendido, oprimido ou excluído dos meios em que frequenta, ainda mais a sua própria sala de aula.

Estamos acompanhando o caso em questão, e assim como os outros fatos semelhantes que ocorreram nos últimos meses, cobraremos que a instituição use de todos processos legais possíveis para apurar o ocorrido e dar os devidos encaminhamentos regimentais para com o professor envolvido.

Diretório Central dos Estudantes da UFAC.

CENTRO ACADÊMICO

No dia 12 de julho de 2017 os alunos do segundo período do curso Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac) vivenciaram uma situação abusiva dentro da sala de aula. O professor de Sociologia da Comunicação, no exercício de suas atividades docentes, proferiu discurso que fere princípios básicos da dignidade da pessoa humana. Com discurso claramente homofóbico, o citado professor fez as seguintes afirmações: “os homossexuais inventaram a AIDS”, “mulheres lésbicas são frutos de abusos dos pais”, “homossexualidade é uma anomalia genética”, “gays não podem adotar” e finalizou com “ser gay é uma opção”. Ao ser questionado por um dos alunos presentes, o docente respondeu: “eu não sabia que aqui nessa sala tinha essas coisas”, referindo-se aos alunos homossexuais da sala como meros objetos.

O Centro Acadêmico do Curso de Jornalismo (CACJ) repudia todo e qualquer discurso de ódio por parte de docentes, discentes, servidores ou quaisquer membros da sociedade, seja no âmbito acadêmico, profissional ou social. Repudia, também, o ensino baseado em opiniões pessoais sem o devido fundamento teórico ao qual se destina a formação acadêmica.
Ressalte-se que o CACJ tem ciência da relação construída entre alunos e professores ao longo dos 15 anos de existência do curso de Jornalismo e que tal atitude destoa da imagem ora fortalecida e que a cada dia cresce em prol do bem-estar individual e coletivo baseado no respeito mútuo.

Como jornalistas em processo de formação, aprendemos que é nosso dever ético opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e estaremos acompanhando o desenrolar dos procedimentos e tomando as providências cabíveis.

Rio Branco, Acre – 18 de julho de 2017
Centro Acadêmico do Curso de Jornalismo

O jornalista Altino Machado conversou com um colega de Mauro que não se identificou, ligado à Associação dos Professores da Universidade Federal do Acre. De acordo com ele, “O Mauro está surtado. Ele não está nada bem e não é a primeira vez. Crise das brabas. Está doente. Sou amigo, convivo com ele há anos. Passei o dia inteiro tentando ajudar. Contatei o irmão dele, que mora em Belém, fui falar sobre isso com a vice-reitora. Vamos ajudar. Não é fácil. Ele resiste a submeter-se a um tratamento. Foi casado com uma professora de enfermagem da Ufac e piorou depois da separação. Amanhã vou tentar falar pessoalmente com ele”, concluiu.

 



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