Bate-pau de Doria, MBL, ataca jornalista que denunciou uso de jatos de água pra acordar sem tetos

A matéria de Camila, no entanto, é detalhada. Além de presenciar a ação, a repórter ouviu diversos moradores das imediações. Todos, sem exceção, disseram que a prática da equipe de limpeza é usual, que seus pertences eram sempre molhados e eles tinham que estar...

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A matéria de Camila, no entanto, é detalhada. Além de presenciar a ação, a repórter ouviu diversos moradores das imediações. Todos, sem exceção, disseram que a prática da equipe de limpeza é usual, que seus pertences eram sempre molhados e eles tinham que estar atentos e procurar acordar antes da passagem da equipe para evitar os jatos d’água.

Por Julinho Bittencourt

A equipe de limpeza contratada pelo prefeito de São Paulo, João Doria, para cuidar da Praça da Sé, joga jatos de água nos moradores de rua da região. A sensação térmica de São Paulo nas noites deste inverno tem chegado a 7 graus. Não bastasse a crueldade da ação, há quem a defenda ou a tente esconder, a começar pelo próprio prefeito, que para isso pede ajuda.

O veículo bate pau de Doria, o site Jornal Livre, mantido pelo Movimento Brasil Livre (MBL), parte pra cima da repórter da rádio CBN, Camila Olivo, que fez a denúncia. Dizem em texto que ela é de extrema esquerda e que teria criado uma farsa: “Camila faz parte da classe dos extremistas de esquerda que simulam isenção, evitando se associar ao petismo e outras variantes do pensamento socialista. A tática tem como objetivo confundir o público postando informações manipuladas com verniz de imparcialidade”.

Logo em seguida à matéria são publicadas imagens de postagens da repórter com os tais comentários de “extrema esquerda”. No mais contundente, Camila chama a revista Veja de forma irônica de “sempre imparcial”.

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O fato é que a matéria de Camila que foi ao ar na última quarta-feira (19), no horário da apresentadora Fabíola Cidral, é detalhada. Além de presenciar a ação, a repórter ouviu diversos moradores das imediações. Todos, sem exceção, disseram que a prática da equipe de limpeza é usual, que seus pertences eram molhados e eles tinham que estar atentos e procurar acordar antes da passagem da equipe para evitar transtornos.

Doria gravou um vídeo onde diz que “é mentira” que os moradores de rua da Praça da Sé são acordados com jatos d’água, mas que apenas alguns tiveram os seus cobertores molhados. Os moradores da Sé dizem que sim, são acordados com jatos d’água, tanto é que se habituaram a levantar antes que isso ocorra.

Para tentar remediar o estrago, Doria saiu, na noite desta quarta-feira (19) para fazer mais uma de suas ações de marketing e distribuir cobertores no centro de São Paulo. Acabou expulso e teve de ouvir gritos de “assassino” por sua política higienista.

Ao invés de partir para uma apuração tão detalhada quanto a da reportagem, o prefeito regional da Sé, Eduardo Odloack, grava para o MBL um vídeo assistindo a trechos da lavagem da Sé, onde, é claro, não aparecem moradores de rua sendo maltratados. Vale lembrar que Odloack foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa, por liberar a abertura irregular de um shopping na Mooca, quando era subprefeito da região na gestão do atual ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB).

No final das contas, em conluio com o MBL, prefeito e subprefeito partem para detratar a profissional de imprensa que, apesar de não ser assídua nas redes, como o próprio texto do MBL confessa, coloca vez ou outra a sua opinião que, venhamos e convenhamos, é compartilhada por mais de 80% da população brasileira:

“No caso de Camila, embora não seja assídua nas redes sociais, a jornalista deixou transparecer sua orientação política em publicações apoiando o ‘Fora Temer’ e apoiando os protestos violentos promovidos pela extrema-esquerda em 2013”, relembrando o movimento contra o aumento das passagens de ônibus na capital paulista, apoiado na época por ampla maioria da população.

Por fim, fica a pergunta. O que os moradores de rua da Praça da Sé teriam a ganhar inventando que eram acordados com jatos d’água pela equipe contratada pela prefeitura?

O prefeito João Doria não quer nem saber.

 

 

 



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