Edu Lobo de volta com Romero Lubambo e Mauro Senise

Álbum “Dos Navegantes” é feito por três artistas geniais que não precisam provar mais nada pra ninguém. E resultado final é digno de tudo o que se pode esperar de Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise  ...

121 0

Álbum “Dos Navegantes” é feito por três artistas geniais que não precisam provar mais nada pra ninguém. E resultado final é digno de tudo o que se pode esperar de Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise

 

Por Julinho Bittencourt   Foto: divulgação

 

“Dos Navegantes” é um lindo álbum feito por três artistas geniais que não precisam provar mais nada pra ninguém. O cantautor é, nada mais nada menos do que Edu Lobo; no violão está Romero Lubambo e nos sopros Mauro Senise. Há casos em que parcerias não funcionam, mas há outros, e este é um deles, em que o resultado final é digno de tudo o que se pode esperar dos autores.

A ideia é muito simples. São canções de Edu de várias épocas de sua carreira, com apenas o tema instrumental inédito “Noturna”, em reinterpretações sóbrias e íntimas. Os dois instrumentistas sobram, não apenas em talento, mas sobretudo em respeito às melodias. Não há em momento algum do disco, em hipótese alguma, desvarios instrumentais, solos tediosos ou malabarismos musicais. A canção popular é quem manda. E os músicos obedecem e engrandecem o que já nasceu bem feito.

Além disso, o disco é temático. Ou quase isso. Como o próprio nome sugere, muitas delas são canções marinhas, com cheiro e marulhar, instinto de partida, marés, calmarias e tempestades.

Edu e seus parceiros optaram por reinventar canções não tão manjadas do seu repertório. São redescobertas preciosas, algumas que não fizeram tanto sucesso, mas frequentariam qualquer antologia. Logo de cara, “A Morte de Zambi”, de Edu e Gianfrancesco Guarnieri, relembra a saga já tão bem explorada, só que aqui num tom profundamente melancólico, onde melodia e letra se tocam lindamente.

Dos musicais com Chico Buarque ressurgem outras pérolas, entre elas a também marinha “Na Ilha de Lia, no Barco de Rosa”, “O Circo Místico” e a soberba “Valsa Brasileira”. No amadurecer dos dois autores, o Brasil e o mundo viram surgir uma safra de canções de beleza indescritível que aqui são lindamente reapresentadas.

Da breve e profícua parceria com Cacaso, o disco resgata “Toada” e a brejeira “Gingado Dobrado”, esta com a participação do percussionista Mingo Araújo.

Da série de samba-canções, Edu foi buscar “Cidade Nova”, com Ronaldo Bastos, e “Considerando”, linda composição de seu também lindo disco “Camaleão”, do final da década de 70.

O leitor pode achar que não há, enfim, nada de novo neste “Dos Navegantes”, de Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise. No entanto, a maneira discreta, pungente, precisa e ao mesmo tempo emocionada com que foram revistas as canções, revoga qualquer ato em contrário.

A música de Edu Lobo, que já estava à frente do seu tempo quando foi criada, jamais foi superada. E esta releitura a joga para muitos e muitos anos a frente.



No artigo

x