Washington Olivetto chama empoderamento feminino de clichê constrangedor

“A publicidade cria ciclicamente clichês constrangedores do tipo ‘pensar fora da caixa’, ‘quebrar paradigmas’, ‘desconstruir’, agora o "empoderamento feminino’. Que são todos primos-irmãos de um baixo nível intelectual, são primos-irmãos do ‘beijo no seu coração’. A gente tem que fugir desses clichês”, disse.

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“A publicidade cria ciclicamente clichês constrangedores do tipo ‘pensar fora da caixa’, ‘quebrar paradigmas’, ‘desconstruir’, agora o “empoderamento feminino’. Que são todos primos-irmãos de um baixo nível intelectual, são primos-irmãos do ‘beijo no seu coração’. A gente tem que fugir desses clichês”, disse.

Da Redação*

Em entrevista publicada nesta segunda-feira (24), no portal da BBC Brasil, o publicitário Washington Olivetto, um dos mais premiados do Brasil e do mundo, falou sobre vários assuntos, entre eles os clichês que permeiam a publicidade moderna.

“A publicidade cria ciclicamente clichês constrangedores do tipo ‘pensar fora da caixa’, ‘quebrar paradigmas’, ‘desconstruir’, agora o “empoderamento feminino’. Que são todos primos-irmãos de um baixo nível intelectual, são primos-irmãos do ‘beijo no seu coração’. A gente tem que fugir desses clichês”, disse.

Mais à frente, o publicitário explica: “O empoderamento feminino está participando de qualquer reunião. Empoderamento feminino se pratica, não se prega. Ele já existia na (campanha) Valisere Primeiro Sutiã. Existia no Garoto Bombril. As pessoas não têm a cultura disso. As meninas que falam sobre empoderamento feminino precisariam saber uma história curiosa. No ano em que comecei a trabalhar, existia nos Estados Unidos um cigarro chamado Eve, um cigarro para mulheres. Foi um sucesso”, conta.

Daí em diante, Olivetto conta em detalhes a história da campanha do cigarro Charm:

“Anos depois, a Souza Cruz resolveu lançar um cigarro para mulheres chamado Charm. Quem fez a primeira campanha foi o José Zaragoza. Ele fez uma campanha brilhante que dizia ‘No Brasil, toda mulher tem Charm’. Tinha um outdoor que tinha desde a Leila Diniz, o tesão do planeta da época, até a Clementina de Jesus, sambista negra maravilhosa. Charm foi lançado e foi um fracasso. Por quê? As mulheres acharam que era um cigarro para mulherzinha. Elas queriam fumar cigarros que nem de homem: empoderamento feminino. Fui trabalhar na agência e tivemos que mudar a campanha. Ficou: “no Brasil, toda mulher tem Charm, só deixa de fumar se você gostar muito dele”, e botamos um homem junto. Salvamos o Charm. Depois pusemos ‘o importante é ter Charm’, que era genérico”.

“Tem que ter bom senso. Acho que a vida, cada vez mais, é um gesto atrelado ao bom senso”, encerra.

*Com informações da BBC Brasil

Foto: Divulgação WMcCann

 



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