Operação Rio 40 Graus demonstra a responsabilidade de Eduardo Paes na crise do RJ

O ex-prefeito, que governou a cidade em uma ampla coalizão com quase todos os partidos da cidade, até agora tinha estado quase ausente das páginas dos jornais, como se tivesse desaparecido da cena pública...

227 0

O ex-prefeito, que governou a cidade em uma ampla coalizão com quase todos os partidos da cidade, até agora tinha estado quase ausente das páginas dos jornais, como se tivesse desaparecido da cena pública bem no meio do colapso do município. Essa situação, no entanto, muda hoje, com a prisão do ex-secretário de obras de Paes, Alexandre Pinto. Leia mais no artigo de Jean Wyllys 

Por Jean Wyllys*

Até agora, a gestão de Eduardo Paes, que foi prefeito nos últimos 8 anos da cidade do Rio de Janeiro, vinha passando lateralmente pelas investigações de corrupção que ajudam a explicar o desastre econômico e social pelo qual atravessa o Rio de Janeiro.

O ex-prefeito, que governou a cidade em uma ampla coalizão com quase todos os partidos da cidade [o PSOL na maioria das vezes esteve solitário na oposição], embora tivesse relação de imensa proximidade com outras figuras do PMDB que já estão presas, até agora tinha estado quase ausente das páginas dos jornais, como se tivesse desaparecido da cena pública bem no meio do colapso do município.

Essa situação, no entanto, muda hoje, com a prisão do ex-secretário de obras de Paes, Alexandre Pinto, que foi um nome forte também do ex-chefe da Casa Civil e braço direito do ex-prefeito, Pedro Paulo. Pinto é acusado de cobrar propina em contratos para realização de obras, como o corredor de ônibus Transolímpico e a despoluição [até agora incompleta] da Lagoa de Jacarepaguá. O mesmo expediente que se investiga sobre outros expoentes pmbdistas que estão sendo responsabilizados pela bancarrota nos cofres públicos.

Outra vez, a suspeita que recai sobre os gestores de Paes é que os contratos de obras eram superfaturados em troca da distribuição de propinas para campanhas eleitorais e enriquecimento pessoal de empresários e gestores públicos, principalmente ligados ao PMDB. Os preços eram combinados entre o cartel de empreiteiras, o estado pagava acima do valor real e ainda fazia vista grossa para execução das obras. Em troca, eles repassavam uma chamada “taxa de oxigênio”, já mencionada por delatores, e que era um codinome para corrupção.

A operação de hoje é importante, portanto, não só por desmontar um grande esquema na secretaria de obras, que foi a responsável por todos os mega empreendimentos ligados a Copa do Mundo e a Olimpíada, mas principalmente por desnudar de vez o braço municipal da quadrilha que operou no Rio até que faltasse até salários para os funcionários públicos.

Eduardo Paes foi eleito prefeito sob o slogan de campanha “Somos Um Rio”, exatamente em referência à relação de proximidade que dizia ter com Sérgio Cabral, que segundo as palavras do Ministério Público Federal “roubou em todas as áreas do governo estadual”. As investigações chegaram até ele, agora, porque nomes próximos da gestão que ele chefiou fecharam acordos de delação premiada em um desdobramento da Lava-Jato.

Se confirmado tudo, será a complementação das denúncias que se acumulam sobre todo PMDB, de nomes outros como Eduardo Cunha, Moreira Franco e Jorge Picciani arrolados em denúncias extremamente parecidas. Ficará provado que, mais do que organizar um partido político para gerir a cidade da melhor forma possível para população [Paes dizia ser um síndico dedicado], o PMDB se uniu para ocupar o poder em benefício privado dos seus membros. Melhor dizendo, que toda penúria pela qual passa a cidade, com direito à exército nas ruas para conter a violência, fechamento em massa de lojas e até de clínicas de saúde pública tem grande responsabilidade pela ganância desmedida de milionários que manipularam a política nos bastidores para transformá-la em um meio de enriquecimento.

*Jean Wyllys é deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro 



No artigo

x