Luiz Melodia, o negro gato, é vencido pelo câncer aos 66 anos. Sua música, não, ela fica…

Problemas decorrentes de um câncer, que atacou a medula óssea, calaram uma das principais e mais criativas vozes da Música Popular Brasileira.

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Problemas decorrentes de um câncer, que atacou a medula óssea, calaram uma das principais e mais criativas vozes da Música Popular Brasileira.

Da Redação*

A cultura brasileira perdeu um de seus grandes nomes. O cantor e compositor Luiz Melodia faleceu na madrugada desta sexta-feira (4), no Rio de Janeiro, por volta das cinco horas da manhã, em decorrência de complicações de um câncer, que atacou a medula óssea. No começo de junho, ele havia recebido alta do hospital Quinta D’Or, depois de três meses internado.

Filho do funcionário público Oswaldo Melodia e da costureira Eurídice, Luiz Carlos dos Santos foi criado em local de história nobre e IDH cronicamente pobre: o morro de São Carlos, no Estácio, bairro conhecido como berço do samba. Acostumado desde os 8 anos a ser arrastado pelo pai, músico amador, para as rodas boêmias da região, ele cresceu sem se prender exclusivamente à tradição local de samba, seresta e choro. A partir dos gostos paterno e materno, aprendeu a curtir boleros de Anísio Silva, o samba dor-de-cotovelo de Lupicínio Rodrigues e a música nordestina de Gonzagão e Jackson do Pandeiro.

Quando conheceu o poeta, compositor e agitador cultural Waly Salomão. Ele e o jornalista e letrista Torquato Neto o levaram para tomar contato com Caetano Velloso, Gilberto Gil, Jards Macalé e Gal Costa. Nesse momento, Melodia encantou a todos com uma composição. A música já tinha, então, o dedo de Waly, que havia sugerido a troca do tratamento “my black, meu nego” por “Pérola Negra”, que era o apelido de um travesti da área chamado Adílson. A verdadeira inspiração, porém, tinha sido uma moça que, depois do relacionamento com Melodia, namorou Waly: a primeira branca das conquistas amorosas do garoto que estudou somente até a sexta série ginasial.

Luiz Melodia tinha 22 anos, quando lançou, em 1973, seu álbum de estreia, “Pérola Negra”, considerado um dos melhores discos da MPB de todos os tempos. Além da canção que deu nome ao disco, o artista lançou uma infinidade de sucessos, como “Magrelinha”, “Objeto H”, “Abundantemente morte”, “Estácio holly Estácio” e “Negro Gato”, entre outros.

Entre projetos de releituras, acústicos e DVDs ao vivo, viveu ótimos momentos no século 21. Mas ficou 13 anos sem lançar projetos autorais, jejum interrompido em 2014, com seu último disco, “Zérima”. O trabalho rendeu elogios da crítica e lhe valeu o reconhecimento como melhor intérprete no Prêmio da Música Brasileira, em 2015. Deixa a viúva Jane Reis, sua empresária e cantora, e o filho Mahal, rapper.

Ouça o último álbum lançado por Melodia, em 2014:

 

*Com informações do Extra

Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio de Janeiro

 



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