Escravidão dá 30 vezes mais lucro hoje do que nos séculos 18 e 19

Pesquisa realizada pelo economista Siddharth Kara, da Universidade de Harvard, conclui que escravidão humana com fins sexuais é a mais presente na atualidade.

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Pesquisa realizada pelo economista Siddharth Kara, da Universidade de Harvard, conclui que escravidão humana com fins sexuais é a mais presente na atualidade.

Da Redação*

A escravidão hoje é muito mais rentável do que era nos séculos 18 e 19, quando essa prática em relação a pessoas africanas era a base da produção em colônias europeias do mundo. Traficantes de escravos lucram até 30 vezes mais do que aqueles dos séculos passados. As conclusões são de um estudo promovido pelo economista norte-americano Siddharth Kara, da Universidade de Harvard.

O jornal britânico The Guardian publicou dados de Modern Slavery (Escravidão moderna), livro do economista, que será lançado nos Estados Unidos em outubro. Sua pesquisa apontou que a média anual do lucro gerado por um escravo a seu explorador chega a US$ 3.978 (equivalentes a R$ 12.447). Já a escravidão humana para fins sexuais gera quase dez vezes esse valor: os lucros com a exploração sexual de pessoas podem chegar a US$ 36 mil (equivalentes a R$ 112.651) ao ano, revela o especialista em escravidão e diretor do Centro Carr de Políticas de Direitos Humanos da universidade norte-americana.

“A escravidão hoje é mais rentável do que eu poderia ter imaginado”, disse Kara, ao Guardian. O economista estima que o lucro total anual aferido por exploradores de pessoas com a escravidão moderna chegue a US$ 150 bilhões (equivalentes a R$ 467 bilhões). Segundo dados levantados por Kara, o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual representa 50% de todo o lucro gerado pela escravidão moderna, apesar das vítimas de escravidão sexual serem apenas 5% de todas as pessoas escravizadas atualmente. O economista baseou sua pesquisa em dados de 51 países em um período de 15 anos e entrevistou mais de 5 mil pessoas que foram vítimas da escravidão moderna.

Especialistas consideram que cerca de 13 milhões de pessoas foram sequestradas na África e vendidas como escravas nas Américas por traficantes profissionais, entre os séculos 15 e 19. Hoje, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) estima que pelo menos 21 milhões de pessoas no mundo são exploradas em alguma forma de escravidão moderna.

Enquanto nos séculos anteriores a escravidão implicava longas viagens transoceânicas e havia uma alta taxa de mortalidade entre as pessoas sequestradas e exploradas como escravas, a escravidão moderna gera mais lucro por vítima, devido ao menor risco para os exploradores de pessoas e pelo menor custo do transporte das vítimas. Os grandes fluxos migratórios, incluindo migrantes econômicos e refugiados de conflitos, são uma fonte fácil e barata de vítimas para os traficantes de pessoas e que depois serão exploradas na indústria da moda, da alimentação e nas redes de prostituição, entre outros setores.

“A vida humana se tornou mais descartável do que nunca”, disse Kara. “Escravos podem ser comprados, explorados e descartados em períodos de tempo relativamente curtos e ainda geram grandes lucros para seus exploradores. A ineficiência da resposta global à escravidão moderna permite que essa prática continue existindo. A não ser que a escravidão humana seja entendida como uma forma cara e arriscada de exploração do trabalho alheio, essa realidade não vai mudar”, completou o economista.

*Com informações do Brasil de Fato

Foto: Cícero R. C. Omena/Creative Commons



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