Brasil Colônia: Temer inaugura usina de etanol que pertence a conselheiro de Trump

No governo Temer, empresas de outros países seguem ocupando o território, aliadas a grupos brasileiros; Summit Agricultural Group, de Bruce Rastetter, possui 4.451 hectares no Mato Grosso Por Alceu Castilho, no De Olho Nos...

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No governo Temer, empresas de outros países seguem ocupando o território, aliadas a grupos brasileiros; Summit Agricultural Group, de Bruce Rastetter, possui 4.451 hectares no Mato Grosso

Por Alceu Castilho, no De Olho Nos Ruralistas 

De quem é a usina de etanol de milho, no Mato Grosso, que mereceu uma visita do presidente Michel Temer e do ministro da Agricultura, Blairo Maggi? Ela pertence à FS Bioenergia, uma fusão entre a empresa estadunidense Summit Agricultural Group e a brasileira Fiagril. E a quem pertence a empresa americana? De Olho nos Ruralistas identificou: trata-se de Bruce Rastetter, um aliado de Donald Trump, o maior financiador dos republicanos no estado de Iowa.

O Summit Agricultural Group informa possuir, desde 2012, 11.000 acres (4.451 hectares) no Mato Grosso, numa fazenda onde Temer chegou de helicóptero, nesta sexta-feira, driblando protesto de caminhoneiros contra a alta dos combustíveis. Foi a primeira visita dele, como presidente, ao estado. Segundo oValor, a usina duplicará a unidade de Lucas do Rio Verde, em 2018, e pretende construir mais uma usina no Mato Grosso.

Segundo a Receita Federal, a FS Agrisolutions Indústria de Combustíveis Ltda (FS Bioenergia) tem como sócios a Fiagril Participações, do brasileiro Marino José Franz, e a Summit Brazil Renewables Participações I Ltda, criada em 2014. Esta, por sua vez, tem dois sócios: o Summit Brazil Renewables I e o Summit Group, ambos dos Estados Unidos, administrados por Rafael Davidsohn Abud.

O dono da empresa, Bruce Rastetter, foi um dos 60 conselheiros de Trump para a agricultura, durante a campanha eleitoral. E um dos seis conselheiros do Iowa no Agricultural Advisory Committee. Ele esteve em dezembro na Trump Tower (foto ao lado), onde o presidente eleito recebia candidatos a vagas no governo.

Incra liberou terras para empresa 

A compra de terras por estrangeiros faz parte de um fenômeno conhecido internacionalmente como land grabbing. No Brasil, ela costuma ocorrer em aliança com grupos locais. A venda de terras para estrangeiros, individualmente, não é permitida. O site americanoagriculture.com (nessa notícia traduzida pelo SFAgro) informou, no ano passado, que o Summit Group e mais duas empresas ganharam autorização do governo brasileiro para comprar terras sozinhos, sem parcerias.

Quem ganhou essa autorização, a rigor, foi a SB Agrícola, empresa de cultivo de soja que tem como sócios o Summit Brazil e o Summit Group, com Rafael Abud como procurador. As duas empresas têm o mesmo endereço, no município de Porto dos Gaúchos (MT). O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou, em 2013, que a autorização para a SB Agrícola era para o cultivo de grãos.

Temer e Maggi são a favor do projeto que libera o mercado de terras para estrangeiros. O ministro da Agricultura, produtor de soja e milho, é contrário à venda para estrangeiros somente no caso dos grãos. O Poder 360 informa que Maggi, senador licenciado (PP-MT), está sendo cotado para ser vice do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) numa chapa presidencial pelo PP.

Dono da Fiagril foi preso pela PF 

A Fiagril, sócia do Summit Group, pertence ao empresário matogrossense Marino Franz, que já foi prefeito de Lucas do Rio Verde. Ele chegou a ser preso pela PF, em 2014, na Operação Terra Prometida, acusado de participar de um esquema de fraudes fundiárias. A PF informou, na época, que fazendeiros e empresários coagiam e ameaçavam pessoas para obter lotes da União, em terras da reforma agrária.

Uma das filiais da Fiagril foi adquirida, em 2016, por um grupo chinês.

Foto: Presidência da República/Divulgação 



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